Page 805 - ANAIS - Ministério Público e a Defesa dos Direitos Fundamentais: Foco na Efetividade
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O controle sobre a população carcerária não é uma questão de segurança pública e  nem

                  pode ser alcançado com estratégias retiradas desse campo ou da atividade policial, embora seja
                  um desafio permanente lançado ao sistema de justiça penal, à política criminal e  à política de

                  segurança pública. Antigos problemas são potencializados quando se tematiza a prisão como
                  instrumento de promoção da segurança, da justiça e do convívio social 915 .


                  3- O panorama de militarização prisional em alguns estados da Federação


                         Embora  não  se  possa  afirmar  que  todos  os  estados  brasileiros  estejam  seguindo  a
                  tendência militarizante do sistema prisional, em  muitos deles há uma presença de policiais

                  militares (e, em  muito  menor escala, de  alguns membros  do Exército)  em  vários setores e

                  atividades. Para a segurança interna das prisões, são dispostos policiais militares da ativa ou já
                  aposentados, que atuam armados, contra todas as recomendações dos organismos internacionais

                  de  direitos  humanos.  Eles  vigiam  os  presos,  acompanham  a  distribuição  da  alimentação  e
                  seguem os encarcerados nos deslocamentos dentro do próprio presídio.

                         Além dessa presença militar direta no cotidiano das prisões, observa-se a nomeação de
                  muitos policiais militares para os cargos de diretoria das unidades prisionais. Postos relevantes

                  na hierarquia das secretarias de estado (Secretaria da Justiça, da Administração Penitenciária…)

                  são também ocupados por policiais militares 916 .
                         Na  polícia  militar  do  estado  do  Paraná,  há  um  Batalhão  de  Polícia  de  Guarda

                  encarregado  do  policiamento  ostensivo  normal,  visando  à  guarda  e  segurança  da  sede  dos
                  poderes públicos estaduais, da residência oficial do Governador do Estado e a de personalidades

                  nacionais e estrangeiras, e a guarda e segurança externa de presídios (inciso V do art. 39 da Lei
                  Estadual n° 16.575/2010). Mas há situações em que o Batalhão de Guarda é chamado para

                  prestar  auxílio  aos  agentes  penitenciários,  nas  áreas  internas,  nas  buscas  de  evadidos,  nas

                  revistas, assumindo a responsabilidade sobre a contagem dos reclusos e aos educadores do
                  Instituto de Ação Social do Paraná 917 .

                         O estado de Goiás, através da Lei nº 18.300/2013, criou o cargo de Agente de Segurança

                  Prisional (ASP), com as funções de receber e orientar os presos, revistar presos e instalações,
                  acompanhar e fiscalizar movimentos dos presos, realizar a escolta em deslocamentos locais e

                  interestaduais, guarda e vigilância de muralhas, postos de observação,

                  915  MINISTÉRIO DA JUSTIÇA/DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL, Modelo de gestão para a política
                  prisional. 2016. Cit.
                  916  SALLA, Fernando; ALVAREZ, Marcos. A militarização do sistema penitenciário brasileiro, 2012, cit.
                  917
                     Daniel Xavier de França, As atividades da polícia militar do Paraná na segurança dos estabelecimentos prisionais.
                  Disponível em: http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/09/AS-ATIVIDADES-DA-POLICIA-MILITAR-DO-PARANA-NA-
                  SEGURANCA-DOS-ESTABELECIMENTOS-PRISIONAIS.pdf. Último acesso: 14.12.2018.



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