Page 26 - PEQUENAS VERDADES DISTRAÍDAS
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Maurício Ramonnd







          UMA FELICIDADE CLANDESTINA

          Então, Pedro, sinceramente,
          nunca gostei das goiabas
          –minhas amoras clandestinas –
          sempre fui de desistir delas,
          até das mais suculentas,
          quando já as tinha sob o meu domínio.
          gostava mesmo era do medo que se avizinhava;
          de ouvir os gritos desesperados de Dona Joana todas às vezes que
          nos surpreendia extraindo da goiabeira, como se lhe tirasse da
          própria carne, o mais divino fruto;

          Sim, gostava também (e talvez muito mais) dos muros caiados e
          suntuosos que escondiam o dorso nu de frondosas goiabeiras.

          Porque pra mim, amigo,
          que nunca gostei de goiaba,
          pouco importavam as goiabas e as goiabeiras.
          O que importava mesmo
          era o sabor de batalha,
          era o gosto de aventura.






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