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ARQUITECTURA POPULAR NOR TE
 MINHO






 Absorvido pela terra que o alimentava, a si e à sua família, o minhoto pedia à casa só um abrigo,
 sem luxo nem conforto. Mas o desenvolvimento da lavoura e uma vida de maior desafogo vieram exigir
 mais daquela que passou a ser também a sua habitação.
 A casa típica, de granito e de carvalho, associa e funde numa só, a modos de presépio, a habitação
 humana e o curral do gado. As casas são de planta rectangular e geralmente de dois pisos baixos:
 o andar sobradado, para habitação, e o térreo, para as cortes de gado e lojas. Nos baixos recolhe-se
 uma parte da alfaia e localiza-se a adega, às vezes o celeiro e até as cortes.
 A cobertura típica, geralmente de duas águas pouco inclinadas, é de telha caleira ou, nos casos
 mais rústicos, de colmo e giesta, como sucede em certas aldeias.
 À volta da casa minhota não podem faltar a eira, as medas ou moreias, o poço, as cortes
 e os inseparáveis espigueiros. Da Galiza veio o gosto pelos espigueiros de granito
 como os de Soajo (Arcos de Valdevez) ou de Lindoso (Ponte da Barca).
 São formados por uma câmara estreita, com paredes aprumadas e fendas verticais para arejamento.
 Assentam numa base de pés simples, normalmente de pedra, rematados por cornijas ou capitéis
 salientes, de forma a impedir o acesso dos roedores. O chão é constituído por um lastro de pedra,
 com lajes longitudinais. No topo, são geralmente rematados por uma cruz, que invoca a protecção divina
 para os cereais. Os espigueiros serviam para proteger o cereal das intempéries e dos animais roedores.


 Fonte: Catálogo Casas Típicas de Portugal. Cultura Língua e Comunicação.
 Culturas de Urbanismo e Mobilidade 6.
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