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                      SALA DE MUSICA PARA COMPOSITOR IANNIS XENAKIS | SAGRES (2017)

                  O programa consiste num edifício que deverá ser interrado num principo de subtração e
                  escavação, que deverá conter uma sala de música simples e efémera para um compos-
                  itor especifico. Os princípios de implantação definiram não só a colocação do edifício
                  sobre o cabo mas também foram determinantes na definição de geometria. Considero
                  o ponto de maior deslumbre não é o ponto mais a sul do cabo onde apenas temos o
                  olhar direccionado para a vastidão do mar infinito, mas sim o espaço intersticial entre
                  o cabo de são vicente e os outros que se lançam sobre o mar lateralmente. É nestes
                  pontos onde o mar se confronta com a terra e não existe apenas uma linha de horizon-
                  te como referência, mas sim a ondulação forte que tenta fazer recuar esta península.
                  Deste pensamento resulta um volume horizontal que corta o cabo de lado-a-lado e este
                  mesmo é interceptado por o percurso de acesso que corta esta geometria. Temos então
                  um percurso rectilíneo que mergulha no terreno com um sistema de rampas e leva os
                  transeuntes até a sala de espectáculos. Durante a descida temos uma distribuição de pá-
                  tios que tornam o percurso de geometria simples mais dinâmico, resultando à cota supe-
                  rior uma sucessão de “fossos”, que representam um negativo. Estes elementos negativos
                  contrastam com o volume da sala que emerge do terreno e se assume como positivo.
                  A  sala de geometria triangular é  composta de betão  com  uma cofragem  vertical tra-
                  balhada,  criando  saliências  na  mesma  na  tentativa  de  criar  um  espaço  que  a  nív-
                  el  acústico  possa  ser  mais  eficiente.  A  cobertura  inclinada  deste  espaço  leva-nos
                  à grande abertura no topo  do volume por onde a iluminação deste espaço  é feita.
                  A  materialidade  do  edifício  é  toda  em  betão  na  tentativa  de  uma  coerência  for-
                  mal,  no entanto  é trabalhada  a cofragem do mesmo  para criar  uma maior com-
                  plexidade dos espaços. A  cofragem  será de réguas  de madeira colocadas  na hori-
                  zontal  para  enfatizar  os  percursos  longitudinais  e  apenas  na  sala  de  espectáculo
                  acontecerá  a  excepção  da  cofragem  ser  feita  na  vertical,  sendo  esta  alternada  entre
                  elementos  em  betão  e  elementos  de  cortiça  para  um  melhor  desempenho  acústico.
                  A sua  estrutura  segue  um  principio  de  lâminas  de  betão que  suportam  todo o edi-
                  fício  e  que  possuem  entre  o  seu  espaçamento  paredes  de  betão  .  Estas  lâminas  são
                  continuas fazendo a viga de cobertura e também a viga de suporte de pavimento for-
                  mando um perfil continuo que se fecha em si próprio e assume o carácter de unidade.
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