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2 OPINIÃO 17 A 23 DE FEVEREIRO DE 2019 WWW.IMPACTOMS.COM jornalimpacto@hotmail.com
EDITORIAL
Todos têm sua parcela de culpa
O Brasil presenciou três tragédias em menos um de base e 10 meninos, entre 14 e 16 anos de idade, perde- Um País que não fiscaliza regularmente suas barragens
mês. Foram tragédias que muito bem poderiam ser evita- ram a vida da forma mais trágica que se possa imaginar. de rejeito de minério demonstra claramente que não tem a
das, caso as autoridades e os responsáveis pelas empresas São três tragédias distintas, mas que envolvem au- menor preocupação com a vida das pessoas.
ou pelos órgãos públicos envolvidos tivessem tido um mí- toridades do mesmo naipe, prefeitos, governadores, pre- **
nimo de responsabilidade e cumprido minimamente algu- sidente da República, dirigentes de órgãos públicos, diri-
mas regras de segurança. gentes de clubes, altas autoridades da segurança pública, ESPERANÇA – Além da celeridade da justiça, respeitan-
O Brasil vive uma crise ética e moral. Tem na cadeia como Bombeiros e Polícia Militar. do o direito do contraditório, os familiares das vítimas espe-
um ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, E a desculpa é a mesma. ram que ‘o desfecho de Mariana não se repita em Brumadinho’.
duas vezes condenado a penas que, somadas, ultrapassam Ex-presidente da República, senador enrolado, mi- **
24 anos de prisão em regime fechado. Tem um senador da nistro se explicando, todos dizem que são inocentes de
República, filho do presidente, enrolado em denúncias de usar auréolas; dirigentes da Vale, que não foram respon- ORIENTAÇÃO – Duas tragédias no mesmo Estado (MG)
muitas falcatruas no período em que foi deputado estadu- sabilizados ainda nem pelo desastre de Mariana, ocorrido recomenda que não mais se construa barragens em pontos al-
al, imediatamente anterior à sua eleição para o Senado. há mais de três anos, se apegam às mesmas desculpas do tos e núcleos residenciais na parte baixa. É a lógica para pre-
venção de acidentes.
Tem um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) se passado e às liminares que sempre conseguem no STJ e no
esperneando para explicar “vazamento seletivo” de infor- STF e, agora, no caso da tragédia do Flamengo, o jogo de **
mações envolvendo de forma negativa o seu nome. empurra é de fazer chorar.
O que um assunto tem a ver com o outro? Simples. Prefeitura diz que Flamengo não tinha licença. Res- VETADO 1 – O deputado estadual Amarildo Cruz, do
No Brasil, tem-se sempre uma desculpa para a tragédia; ponsabilize a Prefeitura. Bombeiros dizem que Flamengo PT, é autor do projeto determinando normas e diretrizes de se-
gurança de barragens de qualquer natureza e de depósitos de
tem-se sempre uma desculpa, ainda mais esfarrapada, não tinha alvará. Responsabilizem os Bombeiros. Direto- resíduos tóxicos industriais em todo o Estado.
para a acusação de má utilização do cargo e, consequente- res do Flamengo não têm nem desculpa esfarrapada. Res-
mente, do dinheiro público. ponsabilizem os dirigentes do Flamengo. **
Na tragédia de Brumadinho já ultrapassavam os 160 Ou será que, porque é o Flamengo, clube de maior
VETADO 2 - “Infelizmente, tivemos nosso projeto de lei
mortos identificados e a Vale ainda computava número su- torcida do Brasil, a notícia vai esfriar, cair no esquecimento vetado pelo Governo do Estado”, lamenta o Parlamentar, de-
perior de pessoas desaparecidas, cujos parentes terão de e os 10 meninos serão mais 10 nas estatísticas das tragé- monstrando preocupação com o funcionamento da barragem
se contentar com um atestado de óbito de “morte presu- dias sem responsáveis nesse país de irresponsáveis? Não no município de Corumbá.
mida”, sem direito e velório, sem direito a enterro. duvidem, pois já houve quem criou, na Internet, a has-
Veio a tragédia do alagamento no Rio de Janeiro e teg #avanteflamengo. Só falta criarem #avantevale.E aí os **
mais mortes que poderiam ser evitadas foram computadas mortos serão os culpados. COLOSTOMIA 1 – O presidente Jair Messias Bolsonaro
pelas autoridades que não se avermelham em oferecer à A verdade, é que está mais do que na hora de parar será submetido nesta segunda-feira (28), no Hospital Albert
sociedade às mesmas explicações que foram dadas na tra- com esse olhar bonzinho para uns e olhar impiedoso para Einstein, à cirurgia de retirada da bolsa de colostomia.
gédia que antecedeu a última tragédia. outros. Não quer ser alvo de “vazamento seletivo”? Não **
E, para fechar o ciclo de irresponsabilidades com roube e não se beneficie do cargo que ocupa. Não quer
COLOSTOMIA 2 - Ele usa a bolsa desde setembro do
chave de ouro, um possível curto circuito provocou um in- protagonizar tragédias, como a de Brumadinho e as duas ano passado após ter sofrido uma facada. A recuperação ab-
cêndio no pardieiro que o Clube de Regatas Flamengo usa- do Rio de Janeiro numa mesma semana? Ajam conforme soluta do presidente Bolsonaro recomendada pelos médicos
va de centro de treinamento e dormitório para seus atletas manda a lei. Não façam besteira! deve durar 48 horas.
**
ARTIGO COLOSTOMIA 3 - A partir da cirurgia de intervenção,
o vice-presidente Hamilton Mourão assumirá a presidência e
ficará no cargo enquanto Bolsonaro se recupera da operação.
UMBRAIS DO AMANHÃ SOB A LAMA **
*Gaudêncio Toruato fazer brotar as esperanças? Só se for a janela do ministro PROTESTO – Consumidores da maioria dos municípios
Sérgio Moro, da Justiça, de onde descortinaríamos melhor atendidos pela Energisa estão reclamando dos valores que
consideram abusivos, fora da realidade especialmente para o
uando o olhar de esperanças começava a en- visão. Mas ele terá que aguentar o tranco e sustentar a for- trabalhador de baixa renda.
Qxergar os umbrais do futuro, eis que a paisagem ça investigativa do Conselho de Controle de Atividades Fi-
devastada por lama e rejeitos de ferro, em um território nanceiras (COAF), este mesmo que está de olho nas con- **
adornado por morros e montanhas, desvia a vista para tas do senador eleito Flávio Bolsonaro. Moro parece estar
CAMPANHA – Por conta das inúmeras manifestações dos
uma horrenda fotografia do passado. Carlos Drummond entre a cruz e a caldeirinha. Se o órgão for em frente, fará consumidores, a empresa comprou espaço na mídia na tentativa
de Andrade, em 1984, já descrevia a cena: “O Rio? É doce. crescer a montanha de suspeitas sobre o filho do presiden- de orientar o consumo racional de energia elétrica durante o verão.
A Vale? Amarga. Ai, antes fosse/Mais leve a carga. Entre te e outros protagonistas, ameaçados de flagra fazendo o
estatais/E multinacionais/Quantos ais!” jogo da “rachadinha” (uma parte pra lá, outra prá cá). **
O futuro ensaiava ser um misto de harmonia am- O fato é que o futuro continua preso no cordão do
SOB PRESSÃO - O registro de dois casos de suicídio de
biental, desenvolvimento social, alegria de viver em segu- passado. Por mais que se procure cortar os laços, nossa cul- profissionais de enfermagem neste início de ano em Campo
rança, com o homem tirando a riqueza da terra para for- tura política se banhará por muito tempo nas águas lama- Grande demonstra que a categoria está certa em lutar pela re-
mar seu pibizinho de felicidade. Era isso que se via pelas centas de fontes contaminadas, com chances ainda de ficar dução da jornada de trabalho.
frestas do amanhã: um país retornando ao porto seguro, soterrada na lama e em rejeitos que fluem por todo o ter-
depois de anos de borrascas que sugavam as energias de ritório. A assepsia será um exercício de longuíssimo prazo. **
seu povo, serviços públicos essenciais – saúde, educação, Até lá, com paciência e persistência e, sobretudo, MEIO AMBIENTE – O vereador veterinário Francisco
segurança, mobilidade – resgatando sua eficiência, um di- com fé, poderemos empurrar o balão da política na dire- Gonçalves de Carvalho, do PSB, vai propor um projeto substi-
nheirinho mais gordo no bolso. ção de novos ventos. tuindo os copos e canudos de plásticos por biodegradáveis. O
Já o passado contém curvas, artimanhas, adereços canudo leva até 500 anos para se decompor.
e aquele jeitinho que nossa gente herdou desde remo- * GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista. Foi repórter, reda-
tos tempos: a mamata nas tetas do Estado, o nepotismo, tor e editor nos principais veículos impressos brasileiros. **
a apropriação dos bens públicos por grupos encastelados PLATÃO - Podemos facilmente perdoar uma criança
nos vãos e desvãos da República, o amaciamento de leis, que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os
a devastação da natureza, as tragédias anunciadas com a homens têm medo da luz.
visão de mortos enfileirados, o conluio político, a dinhei- **
rama jogada no balcão de recompensas, os Poderes cons-
titucionais sob permanente tensão, entre outras mazelas.
Até chegamos a confiar no lema do comandante
dessa que se apresentava como empresa-orgulho do Bra-
sil, a Vale: “Mariana nunca mais”. Há 3 anos, o rompimento
da barragem de Fundão, a 35 km do centro de Mariana,
conferiu ao Brasil a marca: o maior impacto ambiental da
história brasileira e o maior do mundo. A barragem per-
tence à Samarco, empreendimento de propriedade da bra-
sileira Vale e da anglo-australiana BHP Billiton. O desastre
de Mariana se repetiu.
E o que se enxerga a essa altura? Desculpas esfarra-
padas. Explicações que davam a barragem do córrego Fei-
jão como segura. Bloqueios de bilhões da empresa. Como
se sabe, não vingarão. O caminho longo do Judiciário fará
retornar os recursos. Endurecimento da legislação sobre
concessão ambiental? O então candidato Jair Bolsonaro e
o então candidato Romeu Zema, governador de MG, pro-
meteram em campanha o contrário: amaciar, flexibilizar,
sob o argumento de desburocratizar. Portanto, o novo go-
verno está numa encruzilhada.
Sob a égide privatista, dentro do imenso guarda-
-chuva do liberalismo que guiará a equipe econômica, o
meio ambiente não deverá ser tão protegido. O agrone-
gócio esticará seus braços sobre as paisagens verdejantes.
Pode até se reaver o projeto arquivado no Senado com
vistas ao endurecimento das leis ambientais. Receberá en-
dosso das bancadas duras? Difícil.
Não há, então, fresta na janela do amanhã que possa
Expediente Myllena de Luca Assessoria Jurídica Sucursal Rochedo Sucursal Dourados
Editor
Dr. Wellington Coelho
Jeferson Bezerra
Zé Fotógrafo
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