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                      - Q u e   n n m a


                        4 » i o e h e S v í







                     A falta de sensibilidade das classes dominantes no Brasil, chega às
                     raias  do  absurdo.Juízes  pressionam  com  greves  para  alcançar  um
                     teto salarial de quase treze mil reais; hipócritas,os deputados votam
                     a favor do nepotismo beneficiando,  alguns, quem os pariu;  muitos,
                     aquelas    que    aquecem     suas    camas,como      um     deles
                     chegou,’’francamente   a declarar.
                     Ladrões  do  dinheiro  público  escorregam  pelos  dedos  da  lei  e,
                     muitos, parecem zombar dela.
                     Grassa  pelo  país,  uma  sensação  de  impunidade,  uma  onda  letal  e
                     aterradora que constrange, amofina, esmaga.
                     Vivemos  com  permanente  medo  e  a  situação  é  tão  alarmante  que
                     bendizemos  o bandido  que  só  nos  assalta,  que  outro  mal  não  nos
                     faz.
                     Vereadores  de  São  Paulo  dão  um  espetáculo  de  descompostura
                     degradante; 20 da cidade de Embu são cassados por roubalheira.
                     Hospitais  foijam  operações  para  roubar,  asilos  de  velhos
                     transformam-se em filiais do inferno e nós passamos, todos o dias,
                     ao  lado  de  suas  paredes  fingindo  que  nada  sabemos,  como  os
                     alemães diante do holocausto.
                    A  corrupção  atinge  todos  os  níveis  da  sociedade  e  escândalos
                    espoucam em todos os quadrantes da nação !
                    Nossa vocação pacífica, nossos sublimes objetivos, nossas práticas
                    ritualísticas  nos  conduzem  a  um        distanciamento  desses
                    acontecimentos;  não  são  muitos,  os  do  nosso  grupo,  que  estão
                    mergulhados nesses problemas, dando a quota de seu suor e de seu
                    sangue.
                    Conseguimos  viver com  toda  essa  podridão,  não  sentimos  mais  o
                    cheiro do chorume,como os que tiram o pão dos montes de lixo das
                    cidades.
                    Ao  nosso  lado  milhões  sofrem  na  fila  dos  hospitais,  no  péssimo
                    atendimento  das  repartições  públicas; talvez,  vendo  o  sofrimento
                    desse  povo,  sua  dor  e  fome,  estejamos  a  dizer,como  uma  infeliz
                    rainha: “que comam brioches ! “.



                                                                  Dalmi Feital



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