Page 45 - memorias
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- Q u e n n m a
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A falta de sensibilidade das classes dominantes no Brasil, chega às
raias do absurdo.Juízes pressionam com greves para alcançar um
teto salarial de quase treze mil reais; hipócritas,os deputados votam
a favor do nepotismo beneficiando, alguns, quem os pariu; muitos,
aquelas que aquecem suas camas,como um deles
chegou,’’francamente a declarar.
Ladrões do dinheiro público escorregam pelos dedos da lei e,
muitos, parecem zombar dela.
Grassa pelo país, uma sensação de impunidade, uma onda letal e
aterradora que constrange, amofina, esmaga.
Vivemos com permanente medo e a situação é tão alarmante que
bendizemos o bandido que só nos assalta, que outro mal não nos
faz.
Vereadores de São Paulo dão um espetáculo de descompostura
degradante; 20 da cidade de Embu são cassados por roubalheira.
Hospitais foijam operações para roubar, asilos de velhos
transformam-se em filiais do inferno e nós passamos, todos o dias,
ao lado de suas paredes fingindo que nada sabemos, como os
alemães diante do holocausto.
A corrupção atinge todos os níveis da sociedade e escândalos
espoucam em todos os quadrantes da nação !
Nossa vocação pacífica, nossos sublimes objetivos, nossas práticas
ritualísticas nos conduzem a um distanciamento desses
acontecimentos; não são muitos, os do nosso grupo, que estão
mergulhados nesses problemas, dando a quota de seu suor e de seu
sangue.
Conseguimos viver com toda essa podridão, não sentimos mais o
cheiro do chorume,como os que tiram o pão dos montes de lixo das
cidades.
Ao nosso lado milhões sofrem na fila dos hospitais, no péssimo
atendimento das repartições públicas; talvez, vendo o sofrimento
desse povo, sua dor e fome, estejamos a dizer,como uma infeliz
rainha: “que comam brioches ! “.
Dalmi Feital
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