Page 59 - Revista FRONTAL - Edição 50
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UPGRADE IN PROGRESS?
O que os IA permitem fazer na área da medicina?
Ao nível primário, os IA podem revolucionar
o modo que lidamos com doenças crónicas.
Com a tendência cada vez mais prevalente de
doenças que implicam cuidados continuados,
a criação de equipamentos, desde próteses
inteligentes até programas de administração
de fármacos irão permitir a prestação de cui-
dados mais personalizados aos doentes, com
uma redução de custos de internamento e a
melhoria da qualidade de vida dos doentes.
A área da imagem médica é provavelmen-
te aquela na qual os IA irão ter um impacto
mais imediato. A maioria das alterações pato-
lógicas visíveis ao Imagiologia ou Patologista
ocorrem já em estados relativamente mais
avançados na história da doença, pela própria
limitação do olho humano. Com a capacidade
gigante de processamento destes algoritmos,
os IA são capazes de encontrar padrões em
milhares de TCs, radiografias e outras imagens
médicas. Incrivelmente, um dos maiores obstá- conseguiu encontrar 13 diferenças anatómi- que permitem encontrar alterações em RM de
culos encontrados no desenvolvimento destas cas entre casos de trauma e AVC, compara- doentes com Alzheimer e Parkinson.
tecnologias tem sido a quantidade baixa de tivamente ao normal. Este mesmo algoritmo Esta capacidade de análise não precisa
informação disponível (imagens) para análise. consegue interpretar TCs 150 vezes mais de ser aplicada apenas ao diagnóstico, como
Na área da reumatologia, foram desen- rápido que um radiologista. também pode ser usada na descoberta de no-
volvidos algoritmos que conseguem prever Para terminar em casa, a startup portu- vos fármacos, através da análise de alvos far-
o aparecimento de osteoartrite em 3 anos guesa “SkinSoul” está a desenvolver uma macológicos e moléculas efectoras. Também
com uma precisão de 86,2%. Também foram aplicação, que pode ser instalada no telemó- esta análise em largo espectro dos dados irá
desenvolvidos algoritmos que conseguem vel ou computador, que permite distinguir le- favorecer na procura de biomarcadores, aju-
diagnosticar fraturas do pulso com 92% de sões malignas de benignas, através de fotos dando no aumento do armamento diagnóstico
precisão, comparada com os 81% dos mé- dos usuários. Outra empresa portuguesa, a e terapêutico do clínico.
dicos. Um estudo realizado com 37000 TCs NeuroPsyAI, está a desenvolver algoritmos
Seremos substituídos por robôs no futuro?
A resposta envolve um sim e um não. podem ter uma velocidade de processamen-
Como qualquer outro trabalho à face do plane- to vastamente superior à nossa, podem ter
ta, a Medicina está sujeita a inovações tecno- uma capacidade de encontrar o que para nós
lógicas, que podem tornar certas tarefas ob- é invisível, podem até ser capazes de prever
soletas. Num futuro iremos ter algoritmos que doenças e encontrar as melhores conforma-
poderão não só identificar doenças melhor ções das moléculas que administramos, mas
que qualquer outro Patologista ou Imagiolo- não possuem a capacidade de comunicação
gista, como prever o aparecimento da doença. e empatia que nos descreves. Mesmo com a
No entanto, e acima de tudo, a Me- melhor tecnologia e computadores, o con-
dicina é de natureza humana. Envolve o tacto pessoa-pessoa não consegue ser
contacto com pessoas, e é através deste imitado por uma máquina.
contacto que praticamos. Os computadores
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