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Estados Unidos, não muçulmana, 15 ela, que viveu várias experiências no Paquistão e sabia
muito bem sobre as pessoas que usam sua religião para
“Mais pessoas “brancas” tem cometido atos de terro- o mal, pregava a paz, que é um dos princípios da religião
rismo nos Estados Unidos do que muçulmanos. Eu acho muçulmana.
que isso diz tudo.”
Esse relato pode parecer insuficiente para justificar o fim
Brasil, não muçulmana, 14 do preconceito ocidental contra muçulmanos, já que, re-
almente, há muitas pessoas que utilizam a religião para
“Primeiramente, acho bom ponderar que sou uma mera o terrorismo. Mas o mesmo acontece com todas as ou-
estudante brasileira de quatorze anos que nunca teve tras religiões. Sempre aconteceu e sempre acontecerá.
uma profunda reflexão sobre a situação dos muçulma-
nos em meio aos estereótipos que o mundo ocidental No entanto, mesmo que sejam milhares de muçulmanos
impõe sobre eles, até os acontecimentos desse ano. ou apenas um contra o terrorismo, já é o bastante para
invalidar o estereótipo. Afinal, eles estão lá, eles existem
Tudo começou quando uma amiga minha (criadora desse e têm suas próprias ideologias, por isso não merecem
projeto) conheceu uma menina paquistanesa e muçul- estar constantemente sob julgamento alheio.”
mana chamada Mashal. Elas se tornaram amigas muito
próximas mesmo estando tão distantes uma da outra,
não só pelos mares que separam seus países, é claro.
Essa amiga me apresentou à Mashal e me mostrou que,
na verdade, nós não éramos tão diferentes assim, e que
na verdade, nós não éramos tão diferentes assim, e que
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