Page 32 - Livro Ana Clara - Discursos Diretos (FINAL).indd
P. 32
Estados Unidos, não muçulmana, 15
“Eu acho que as pessoas gostam de generalizar um gru-
po inteiro de pessoas e culpá-lo por todos os problemas
do mundo. Muçulmanos e pessoas do Oriente Médio são
tão, tão incompreendidos... Eles encaram uma discrimi-
nação desnecessária e todas essas pessoas brancas in-
fantis gostam de rotular cada um deles como terrorista.
É uma merda, eles não merecem isso de jeito nenhum e
é triste ver tantas crianças muçulmanas crescendo com
a mentalidade de que, por causa de sua religião, devem
esperar que sejam discriminados. É tudo errado.”
Líbano, muçulmana, 25
“Eu sou brasileira e moro no Líbano. Fui criada desde
os dois anos por um libanês muçulmano, fui crescendo
e virei muçulmana. Como uma mulher muçulmana de
25 anos hoje e depois de quatro anos usando o véu, me
parte o coração tudo que está acontecendo pelo mundo
por culpa do terrorismo.
O terrorismo e o extremismo estão sujando a verdadeira
imagem do Islam. O Islam não admite de forma alguma
o que está acontecendo pelo mundo. Eu nunca senti o
preconceito na minha pele porque, como falei, faz qua-
tro anos que estou usando o véu. Dentro do Líbano eu
sinto o preconceito quando vou a cidades onde tem gen-
te cristã, mas isso é devido à Guerra Civil que houve no
país e eu sinto que é uma minoria que age assim, que
me olha de jeito diferente e, às vezes, até com nojo.
Se eu for agora para o Brasil usando o véu, eu realmente
não sei como vai ser, mas tem muita gente muçulmana
no Brasil e acho que não sofrem preconceito. Acho que
quem tem preconceito é sempre por ignorância mesmo.”
32