Page 40 - Livro de Rute
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s do que tocado, pela humilde colhedora em seus campos e, com
intuição feminina, ela sabia que Rute, por sua vez, viria a amar este
senhor de “bom coração”. Assim sendo, Noemi instruiu Rute quanto ao
que ela deveria fazer. Era o fim da colheita da cevada, e haveria muita
alegria na eira. Rute foi instruída a banhar-se, ungir-se e colocar roupas
novas. É bem possível que até aí ela estivesse vestindo trajes de viuvez,
e todos a conheciam como tal. Mas ao mudar suas vestes, ela estava,
com efeito, declarando aos que a vissem, que estava em condições de
casar-se novamente. Mas ela não deveria ser vista senão por um
homem. Ela deveria, portanto, ocultar-se nas sombras e esperar até que
o banquete e a alegria terminassem e as pessoas tivessem ido embora.
Ela deveria esperar e ver onde Boaz se deitaria, porque ele deveria
dormir ao lado da cevada joeirada, para que esta não fosse roubada. Ela
o observou nas sombras, enquanto ele se preparava e tirava de si as suas
vestes. Quando ele adormeceu, ela entrou furtivamente, de acordo com
as instruções, ergueu as cobertas que cobriam seus pés e se deitou ali.
Só posso inferir que as instruções de Noemi para descobrir seus pés
eram para assegurar que ele acordaria, mas devagar e naturalmente. Pés
frios certamente fazem qualquer um acordar! Mas não com um rude
choque. A pessoa acordaria suavemente, sem saber, de início, o que a
havia acordado, e isto foi exatamente o que aconteceu. À meia noite ele
acordou “e eis que uma mulher estava deitada a seus pés”.
“Quem és tu?” perguntou ele sobressaltado.
“Eu sou Rute, tua serva”, ela disse, “estende a tua capa sobre tua serva
porque és resgatador”.
O que significaria estender sua capa sobre alguém? Há outra
passagem em que esta mesma expressão é usada, Ezequiel 16:8, na qual
está claro que era um ato simbólico pelo qual um homem reivindicaria
aquela de sua escolha para ser sua esposa. Esta passagem em questão é
uma bela parábola mostrando como Jeová desposou a Israel para ser
Sua: “Passando eu por junto ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de
amores, estendi sobre ti as abas do meu manto, e passaste a ser minha”.
Normalmente era o papel do homem estender o manto, porque
ele tinha de fazer a escolha. Não muitas moças sentiriam que poderiam
pedir a um homem para estender seu manto sobre si, pois seria o
equivalente a ela propor-lhe casamento. Mas foi exatamente o que Rute
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intuição feminina, ela sabia que Rute, por sua vez, viria a amar este
senhor de “bom coração”. Assim sendo, Noemi instruiu Rute quanto ao
que ela deveria fazer. Era o fim da colheita da cevada, e haveria muita
alegria na eira. Rute foi instruída a banhar-se, ungir-se e colocar roupas
novas. É bem possível que até aí ela estivesse vestindo trajes de viuvez,
e todos a conheciam como tal. Mas ao mudar suas vestes, ela estava,
com efeito, declarando aos que a vissem, que estava em condições de
casar-se novamente. Mas ela não deveria ser vista senão por um
homem. Ela deveria, portanto, ocultar-se nas sombras e esperar até que
o banquete e a alegria terminassem e as pessoas tivessem ido embora.
Ela deveria esperar e ver onde Boaz se deitaria, porque ele deveria
dormir ao lado da cevada joeirada, para que esta não fosse roubada. Ela
o observou nas sombras, enquanto ele se preparava e tirava de si as suas
vestes. Quando ele adormeceu, ela entrou furtivamente, de acordo com
as instruções, ergueu as cobertas que cobriam seus pés e se deitou ali.
Só posso inferir que as instruções de Noemi para descobrir seus pés
eram para assegurar que ele acordaria, mas devagar e naturalmente. Pés
frios certamente fazem qualquer um acordar! Mas não com um rude
choque. A pessoa acordaria suavemente, sem saber, de início, o que a
havia acordado, e isto foi exatamente o que aconteceu. À meia noite ele
acordou “e eis que uma mulher estava deitada a seus pés”.
“Quem és tu?” perguntou ele sobressaltado.
“Eu sou Rute, tua serva”, ela disse, “estende a tua capa sobre tua serva
porque és resgatador”.
O que significaria estender sua capa sobre alguém? Há outra
passagem em que esta mesma expressão é usada, Ezequiel 16:8, na qual
está claro que era um ato simbólico pelo qual um homem reivindicaria
aquela de sua escolha para ser sua esposa. Esta passagem em questão é
uma bela parábola mostrando como Jeová desposou a Israel para ser
Sua: “Passando eu por junto ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de
amores, estendi sobre ti as abas do meu manto, e passaste a ser minha”.
Normalmente era o papel do homem estender o manto, porque
ele tinha de fazer a escolha. Não muitas moças sentiriam que poderiam
pedir a um homem para estender seu manto sobre si, pois seria o
equivalente a ela propor-lhe casamento. Mas foi exatamente o que Rute
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