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cumulados, que não forem incompatíveis com as disposições sobre o procedimento comum,

                  ou seja, seria possível a notificação preliminar somente para a pessoa física sujeita a Lei de
                  Improbidade e dispensável para a pessoa jurídica sujeita a Lei Anticorrupção.

                         Todavia, a cumulação dos pedidos de aplicação das sanções da Lei de Improbidade

                  Administrativa e da Lei Anticorrupção, observando-se a notificação preliminar (Lei 8.429/92,
                            o
                  art. 17, § 7 ), embora possível processualmente, levantaria dúvidas quanto à sua oportunidade,
                  pois  poderia  se  cogitar  de  eventual  retardamento  do  provimento  judicial,  em  virtude  da
                  necessidade  de  produção  de  provas  quanto  ao  elemento  subjetivo,  exigido  pela  Lei  de

                  Improbidade Administrativa, embora dispensado na Lei Anticorrupção.
                         Ademais, é possível a alegação pela parte ré de eventual prejuízo ao contraditório e a

                  ampla  defesa,  requerendo  instrução  probatória  única,  além  de  atender  uma  economia  de

                  esforços e recursos públicos, principalmente do judiciário, difícil de contra-arrazoar.
                         Tais  óbices,  poderiam  ser  contornados,  visando  a  eficácia  da  responsabilização  da

                  pessoa  jurídica,  inicialmente  pelos  provimentos  de  urgência,  como  a  indisponibilidade  de
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                  bens .  Quer-se,  com  isso,  impedir  que  a  pessoa  jurídica,  enquanto  pendente  o  processo
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                  judicial, prossiga na prática ilícita ou dificulte eventual execução futura .
                         Especificamente, quanto a indisponibilidade de bens, entende-se possível a aplicação

                  do periculum in mora presumido, de igual maneira já sedimentado para a Lei de Improbidade

                  Administrativa.  Isso  porque,  como  dito  acima,  tanto  a  Lei  de  Improbidade  quanto  a  Lei
                  Anticorrupção, visam a proteção do Patrimônio Público.

                         Os fundamentos da jurisprudência relativa ao periculum in mora presumido para a Lei

                  de Improbidade, encontram-se primeiramente na previsão constitucional constante no artigo
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                  37, parágrafo 4º, da Constituição Federal , e no Art.7º da Lei de Improbidade Administrativa,
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                  Segundo,  o  artigo  7º  da  LIA   se  trataria  de  uma  tutela  de  evidência,  portanto  reclamaria
                  apenas a demonstração provisória do fumus boni iuris, sem a necessidade de comprovação do
                  periculum in mora, qual seja, de que o réu esteja dilapidando o patrimônio ou na iminência de

                  fazê-lo. Por fim, o propósito da tutela a ser alcançada pela ação de improbidade administrativa


                  59 Art.19, §3°, da Lei nº 12.846/13 ―§ 3º As sanções poderão ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa‖.
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                   A medida de urgência atende o propósito de desestímulo à prática do ilícito. Na teoria da análise econômica do crime, há tempos aplicada
                     no Direito Penal, Becker busca demonstrar que os indivíduos, ao agirem racionalmente e perpetrarem um ilícito penal, equacionam os
                     custos e benefícios decorrentes da atividade ilegal. Assume-se, assim, de acordo com a Análise Econômica do Crime, que um sujeito
                     cometerá um delito se a utilidade esperada exceder a utilidade que se poderia obter mediante o dispêndio de tempo e outros recursos em
                     outras atividades. https://revistajusticaesistemacriminal.fae.edu/direito/article/download/140/113. Acessado em 19/02/2019.
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                   Art.37,§4º  ―§  4º  Os  atos  de  improbidade  administrativa  importarão  a  suspensão  dos  direitos  políticos,  a  perda  da  função  pública,  a
                     indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
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                     Art.  7°  Quando  o  ato  de  improbidade  causar  lesão  ao  patrimônio  público  ou  ensejar  enriquecimento  ilícito,  caberá  a  autoridade
                     administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado. Parágrafo
                     único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou
                     sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.

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