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4.3      Limitações e Deficiências das Classificações

                            Tradicionais


                  As classificações tradicionais TRB e SUCS reúnem os solos de granu-
                            lação fina e grossa em grupos e subgrupos, em função da
                            granulometria, limite de liquidez (LL), seu índice de plasti-
                            cidade (IP) e índice de grupo (IG), cujos valores são designa-
                            dos, na TRB, como propriedades índices. Essas propriedades
                            apresentam uma série de limitações e deficiências quando
                            aplicadas aos solos tropicais, impossibilitando o uso adequa-
                            do dessas classificações.

                  A seguir, são apresentada algumas limitações e deficiências relacionadas
                            à TRB, a mais utilizada no meio rodoviário, mas muitas delas
                            ocorrem também no SUCS.


                  Baixa Reprodutibilidade do LL e IP


                  Os valores de LL e IP de um solo apresentam uma grande dispersão,
                            conforme mostram os resultados do Programa Interlabora-
                            torial apresentados na Figura 4.1, realizado pelo Instituto de
                            Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). Essa dispersão se
                            deve à variação da energia de espatulação aplicada, que desa-
                            grega parcialmente a microestrutura do solo durante a execu-
                            ção dos ensaios LL e LP.

                  Pela Figura 4.1, essa dispersão fica evidente, classificando, segundo a
                            TRB, uma mesma amostra em diferentes grupos. Por exemplo,
                            as amostras do solo 1 podem ser classificadas como do grupo
                            A-4 ou A-6, enquanto as amostras do solo 2 podem ser dos
                            grupos A-4 até A-7, que possuem propriedades distintas.

                  Villibor (1981), por meio de ensaios realizados pelo DER-SP (Departamento
                            de Estradas de Rodagem - SP) e IPT, confirmou a grande variação
                            dos resultados de LL e IP de amostras de solos arenosos finos
                            lateríticos utilizados em base, conforme já constatado no Progra-
                            ma Interlaboratorial do IPT.

                  Ressalta-se que anteriormente essadispersão foi abordada por Gidigasu
                            (1976), em Lateritic Soil Engineering, no capítulo 10, página
                            32, em que cita: “outra fonte de dificuldade na obtenção da
                            reprodutibilidade dos resultados dos ensaios de plasticidade de
                            alguns solos lateríticos é a tendência de apresentarem aumento




                                                          4  classificação de solos tropicais         47 47
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