Page 11 - Livro de Rute
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a trazê-la de volta, tal o Seu amor por ela. Noemi é agora o nosso
objeto de atenção, mais do que Elimeleque; e nosso interesse à partir de
agora é o seu retorno. Ela retornou apenas porque Deus usou duas
coisas que a levaram a arrepender-se da decisão errada de sua família.
Primeiro, Ele colocou Sua mão de disciplina sobre a família dela, e ela
perdeu seu marido Elimeleque. Apesar desse sopro doloroso, ela sentiu
que ainda tinha ganhadores de pão na pessoa de seus dois filhos – até
que Deus os levou também. Aí ela ficou desamparada de fato; destituída
de seu marido e de seus dois filhos, sozinha no mundo, em uma terra à
qual ela não pertencia, com duas noras moabitas com as quais ela não
tinha nenhum laço de sangue ou vínculo de raça, a não ser o fato de que
elas haviam se casado com seus filhos. Deus havia tornado sua vida
naquela terra amarga demais para ela. Ela mesma definiu assim: “Não
me chameis Noemi (agradável), chamai-me Mara (amarga), porque
grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso.” (Rute 1:20)
O amor de Deus por nós é tão grande que, tão logo nos apartamos Dele,
começa Seu trabalho para nos trazer de volta. E o que Ele usa para
trazer-nos de volta é a Sua disciplina, as perdas que Ele permite que
venham sobre nós.

Em primeiro lugar, Elimeleque morre; ou seja, Deus deixa de
ser Senhor em nossas vidas. Esta é, de fato, uma perda, apesar de que,
de início, parecemos não perceber e preferimos seguir adiante em nosso
próprio caminho, em vez de no caminho Dele. Mas aí descobrimos que
Malom e Quiliom morrem – perdemos nosso cântico e nosso sentido de
plenitude na vida, e somos deixados como apenas uma pálida memória
dos dias em que costumávamos nos regozijar. Algumas vezes, Ele põe a
mão em alguns dos nossos negócios para assegurar que percebamos que
Ele está lidando conosco; Ele permite que passemos por toda sorte de
situações graves e difíceis, e nós nos tornamos cristãos amargos.

Todavia, deixe-me dizer enfaticamente que essas experiências
não devem ser consideradas como castigo. Elas são sempre, e em todo o
tempo, restauradoras em sua intenção, em vez de punitivas. Seja o que
for que um homem sofra, não importa quão doloroso ou terrível, nunca
deve ser considerado como castigo pelo pecado, pela simples razão de
que nunca é suficientemente severo para ser assim considerado. O único
castigo adequado para o pecado é o que Jesus sofreu em Seu corpo na

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