Page 48 - Livro de Rute
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arente mais próximo, Boaz foi à porta da cidade, onde todas os
assuntos eram resolvidos. Mas para acertar as contas com a lei, Jesus foi
até fora da cidade, a um lugar de desonra, para morrer na cruz entre dois
ladrões, como se Ele mesmo fosse um deles. A coisa suprema que Ele
fez ali foi tirar do pecado o seu poder de condenar-nos, e Ele o fez,
sofrendo Ele mesmo a maldição devida à lei quebrada e, desta forma,
exaurindo-a. Na verdade, a primeira pessoa para quem o pecado perdeu
o poder de condenar, foi Jesus. Em Romanos 6:10 há uma frase que diz
exatamente isso: “Pois quanto a ter morrido, de uma vez para sempre
morreu para o pecado”. Não diz que Ele morreu pelo pecado, mas para
o pecado; ou seja, Ele morreu para o poder do pecado de ainda
condená-lo pela multidão de pecados que Ele tomou sobre Si. No
momento em que Seu sangue foi vertido, no momento em que Ele disse
“Está consumado”, Satanás e a lei não poderiam prendê-lo mais, porque
o preço tinha sido pago. Além disso, Ele saiu da sepultura, porque não
havia mais razão para Ele permanecer ali. Mas se a lei perdeu seu poder
para condenar nosso Substituto, ela perdeu, da mesma forma, seu poder
para condenar todos aqueles dos quais Ele é substituto.

Agora que o nosso parente mais próximo renunciou à sua
reivindicação sobre nós, Jesus pode efetivamente tomar o lugar de
nosso parente mais próximo com um inquestionável direito de redimir.
De nossa parte, aqueles de nós com a mais sensível das consciências,
não devem ter nenhum escrúpulo de receber Sua Redenção nos mais
fáceis termos que a graça oferece, porque Ele cumpriu a lei por nós.

Quero exaltar o grande poder do sangue de Jesus. Sua eficácia
se estende não só ao pecado em si, mas ao remanescente da culpa; a
situação que o homem criou para si mesmo pode ainda continuar e estar
apenas em processo de restauração, mas o homem no meio dela pode
ter perfeita paz com Deus. Pelo poder do sangue de Jesus, o elemento
da culpa na situação foi completamente eliminado e ele pode orar com
confiança e alegria sobre o problema como se não tivesse sido sua
culpa, e pode esperar que Deus aja em seu favor. Apesar de guerras
poderem estourar contra ele, ele conhece a bênção do homem a quem o
Senhor não atribui iniqüidade (Romanos 4:6-8). A conseqüência do que
ele fez tornou-se para Deus apenas matéria prima, pode-se dizer,
matéria prima neutra para Ele fazer uma coisa nova. Quero dizer

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