Page 30 - Livro de Rute
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o eu disse, ela estava satisfeita. Gosto de pensar que ela sussurrou
alegremente para si mesma, ao sair para sua humilde tarefa: “é melhor
ser uma colhedora entre tal povo, com tal Deus, do que ser uma bem
paga ceifadora em qualquer outro lugar”.

Creio que o que escrevi para ampliar o pensamento e respostas
de Rute recomenda-se a si mesmo ao leitor; quanto a mim, quanto mais
pondero sobre isso, mais certo fico de que tudo isso está implícito no
texto sagrado. De qualquer modo, há alguma coisa aqui para o cristão.
As coisas mais profundas para ele sempre começam da mesma forma.
Ele se depara com pessoas nas quais ele vê encarnada exatamente a
bênção de que precisa, e que aparentam ter uma paz e um fulgor que ele
ainda não descobriu na vida cristã. Ao se aproximar deles e ouví-los
compartilhar suas experiências, ele os acha sempre se arrependendo, e
assumindo lugar de pecadores ao pé da cruz, de onde parece derivar
toda sua alegria e liberdade. Ele achava que o seu, era o Deus das
pessoas boas, que ele teria de atingir certos padrões e preencher certas
condições rigorosas para ser tão abençoado. Mas em seu caso, ele
simplesmente não consegue fazê-lo. Porém, ao ouví-los, fica claro para
ele que não é esse o caso. O Deus deles é o Deus dos pecadores, o Deus
da graça, e tudo o que aconteceu com eles é que aprenderam a viver no
terreno da graça de uma forma que ele ainda não aprendeu. E ele
começa a ter uma nova visão de Jesus; que Ele tem algo infinitamente
bom para santos fracassados, se confessarem que é isso que eles são.
Como conseqüência, ele deseja que este Deus, o Deus dos pecadores,
seja o seu Deus porque ele vê que está qualificado, se é uma questão de
ter pecados. E ele vai além e diz a si mesmo: “Se há um povo que
conhece a bênção de viver desta forma, este será o meu povo; desejo me
assentar entre eles e ver o que eles vêem, e talvez alguma coisa do que
eles têm sobrará para mim.” E ele começa a tomar lugar entre eles,
como colhedor no campo da graça, como alguém que está procurando a
verdade mas ainda não a achou. É algo muito humilhante para o homem
fazer isso, e confessar que há alguma coisa perdida em sua vida cristã,
especialmente se este homem é, em algum grau, um líder. Mas este é o
caminho para começar. O primeiro passo para ter uma vida cristã mais
abundante, é confessar que você não a tem. Seja bem definido sobre
isso.

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