Page 473 - ANAIS ENESF 2018
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Evento Integrado
Seminário Preparatório da Abrasco - 25 Anos da ESF
Título
" O Meu Carma não é ser Carmelita" : Itinerários Sexuais, Gestualidades Corporais e A Vida na Rua - Um Relato de Experiência.
Autores
PRINC APRES CPF Nome Instituição
x 065.841.043-11 Yanka Michely Gomes Barros Unichristus
603.695.183-30 Vitória Silva de Aragão Unichristus
044.324.573-84 Jaira Yara Brandão de Araújo Unichristus
017.301.653-70 RENASF-Leilson Lira Lima UECE
x 002.268.293-75 Luiz Gustavo do Nascimento de Unichristus
043.620.443-61 Lorena Eloi Lima dos Santos Unichristus
Resumo
INTRODUÇÃO: A prostituição pode ser definida como o exercício meretrício no qual as práticas sexuais são realizadas em troca
de pagamentos negociados entre profissional do sexo e o seu cliente, sendo que o ato de proporcionar prazer não requer qualquer tipo de
associação afetiva¹. Existem diferentes fatores determinantes da prostituição, sobretudo, socioeconômicos, psicológicos, baixa
escolaridade, assim como a dificuldade de inserção no mercado de trabalho.² OBJETIVO: Descrever a experiência dos acadêmicos
de enfermagem mediante diálogos com travestis profissionais do sexo sobre natureza social, sexual e saúde. METODOLOGIA:
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, construído a partir de abordagem qualitativa, realizado na Avenida
José Bastos, na cidade de Fortaleza, Ceará, no mês de maio de 2018, nas sextas-feiras de 19:00 ás 21:00, tendo como público-alvo
travestis. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Quando nos permitimos sair do ambiente acadêmico e ir ao encontro daqueles que ainda estão
segregados pelo preconceito e descobertos pelas políticas públicas que não conseguem chegar até às suas demandas, nos deparamos
com realidades obscuras e sofridas, realidades essas descritas por elas, como a difícil decisão de viver na rua, longe de suas famílias e a
vida à margem da sociedade. O corpo como a sua ferramenta de trabalho, torna-se fonte de desejo e de riscos à sua saúde, com o
aumento de doenças. Dialogar com as profissionais do sexo nos fez entender a existência de distanciamentos sociais econômicos, culturais
e simbólicos que impedem alcançar às pessoas em situação de vulnerabilidade seja por fragilidade na aplicação de políticas, seja por
questões intrínsecas à gestão, seja pela resistência por parte do profissional e até por pouco conhecimento inerente àquelas situações
pouco pautadas. CONCLUSÃO: É sabido que a Atenção Primária é a porta de entrada de indivíduos aos serviços de saúde.
Consequentemente a promoção, a proteção da saúde e a prevenção de doenças devem acontecer de forma em que se consiga
estabelecer um vínculo de aproximação para com estes indivíduos em situação de vulnerabilidade social, por meio de uma atuação
multidisciplinar com foco holístico da pessoa humana. Muitas vezes só conseguimos encontrar esse tipo de cliente dentro do consultório já
em fase de adoecimento, sendo que esta população carece de esclarecimentos não somente relacionado à atividade sexual, como
também no que diz respeito a outras dimensões humanas.