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COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO




                Sobre a primeira pergunta é fácil: quem caminhava apoiando-se numa bengala é o velhinho. A
            dificuldade está na segunda pergunta: afinal, quem é o velhinho? O texto menciona dois indivíduos:
            Pedrinho e avô, mas não esclarece qual dos dois é o velhinho.


                Sei, no entanto, que apesar da falta de esclarecimento textual você relacionou velhinho ao termo
            avô. Essa ligação entre velhinho e avô não está expressa no texto e só é possível elaborar essa inferência
            por causa do conhecimento que você tem sobre avô, que inclui não somente significado básico da
            palavra – pai do pai ou pai da mãe – mas também que em geral os avós são pessoas mais velhas. Esse
            conhecimento privilegia a ligação entre velhinho e avô e descarta uma possível ligação entre Pedrinho
            e velhinho.


                O nosso conhecimento prévio nos leva a compreender o que está expresso de forma explícita no
            texto e a completar o que não está expresso claramente. Nesse sentido, o texto pode estar estruturado
            adequadamente  com  as  relações  sintáticas,  semânticas  etc.  bem-compostas,  mas,  ainda  assim,
            incompreensível para o leitor. Isso ocorre porque o texto não é formado apenas do material linguístico.
            Segundo Liberato e Fulgêncio (2007, p. 31):


                                            Quando lemos, não estamos jogando unicamente com aquilo que é expresso
                                            explicitamente, mas também com um mundo de informação implícita, não
                                            expressa claramente no texto, mas totalmente imprescindível para poder
                                            compor o significado.

                Nós devemos, então, acrescentar conhecimentos extras ao que é lido para criar lógica ao texto e
            compreensão daquilo que o autor quer comunicar. A esse processo de elaboração ativa de conhecimentos
            damos o nome de inferência.


                É devido a essa nossa capacidade de inferência que se permite a qualquer autor não colocar no
            texto toda a informação necessária à sua compreensão. Na verdade, seria inviável a comunicação se
            as pessoas precisassem explicar cada item. Já imaginou explicar a frase: “Fernando queria consertar o
            armário.”? Fernando, um humano, bípede, meu irmão (ou cunhado, ou...), irmão tem relação sanguínea
            (relação sanguínea significa...), consertar é o ato de..., armário é o objeto em que se guarda...


                Vamos examinar outro texto:

                •  Amanhã é o aniversário da Laurinha. Ana e Luísa foram comprar um presente. Elas estão pensando
                  em comprar uma boneca. (LIBERATO E FULGÊNCIO, 2007, p. 35)


                Em primeiro lugar, se amanhã é o aniversario da Laurinha, supomos que ela ganhará presentes. Essa
            inferência é baseada no conhecimento cultural, uma vez que há países onde presentes não são oferecidos      Revisão: Leandro - Diagramação: Léo  - 14/07/2011
            no dia de aniversário. Portanto, nem todas as pessoas poderiam construir aqui essa inferência.


                Outro aspecto é que a compra da boneca feita por Ana e Luísa é para Laurinha. Sabemos disso devido
            ao nosso conhecimento de que quando alguém faz aniversário, compramos presente.


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