Page 24 - LIVRO - ENCONTRO DE RIO E MAR_160x230mm
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dos oceanos passaram a se dar por outras vias que não a industria-
lização e a modernização da pesca, os pescadores se tornaram alvos
de um modelo político pró-ambientalização, materializado nas res-
trições de uso ou regulamentações ambientais.
Os capítulos 9 e 10, por sua vez, abordam um pouco a situação de caos
decorrente do rompimento em um conjunto maior de comunidades no
rio Doce e na costa do Espírito Santo — situação vivenciada por conta do
carreamento dos rejeitos de mineração ao longo de toda a bacia, na foz
e no oceano Atlântico. Os dois capítulos captam algumas das manifes-
tações sobre o ocorrido em relatos e reuniões, como no capítulo 10, mas
também em manifestações as mais diversas, como produções visuais ou
artísticas, trazidas em ambos os capítulos. Na última seção desta introdu-
ção, trataremos mais especificamente da questão da lama da Samarco e
seus efeitos sobre o próprio programa de extensão; portanto, voltaremos
a comentar sobre os dois capítulos mais adiante, no espaço oportuno. Por
enquanto, recuperaremos um pouco das situações encontradas nas duas
localidades em que desenvolvemos a maior parte de nossas atividades
de campo, com o objetivo de apresentar as dinâmicas vivenciadas nesses
dois lugares.
BARRA DO RIACHO E REGêNCIA AUGUSTA
Barra do Riacho é uma antiga vila de pescadores cercada por um gran-
de polo industrial. Localiza-se no município de Aracruz, a cerca de 80
km de Vitória, no sentido do litoral norte. Tornou-se polo industrial du-
rante o período que compreende a modernização da economia capixaba,
com a chegada dos grandes empreendimentos industriais nas décadas
de 1960/1970. Atualmente, conta com mais de uma dezena de empresas
instaladas, além de seus sistemas de logística, por meio das instalações
portuárias, que afetam a qualidade de vida no lugar.
Uma liderança política, residente na comunidade, afirmou o seguinte so-
bre as mudanças na vila:
É um bairro hoje, um distrito [que] se transformou em bairro in-
dustrializado [...] essa reflexão que a gente tem hoje, não é a mes-
ma que tinha lá atrás, né, na época dos meus avós, dos meus pais,
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