Page 20 - LIVRO - ENCONTRO DE RIO E MAR_160x230mm
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               ras  das Ciências Sociais — e inúmeros colaboradores eventuais. Destes,
               tivemos parceiros de campo e de trabalhos mais pontuais, como durante
               a elaboração de relatórios, artigos, mapas, aplicação e sistematização de
               questionários, revisão de textos e outras tantas atividades que, no tempo e
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               no espaço, representaram importantes colaborações e experiências.
               Para que as leitoras e os leitores possam conhecer um pouco do percurso
               desse longo trabalho, teceremos observações e reflexões que nortearam
               a elaboração do projeto de extensão, costurando-as com um pouco das
               histórias e, também, com alguns dos percalços que encontramos no ca-
               minho, em diálogo com os textos ora apresentados. Pensamos que cada
               atividade de pesquisa, seja acadêmica ou de extensão, acumula uma his-
               tória, pois é fruto de um fazer social (e não apenas). Cada uma delas tem,
               portanto, um caráter singular, desenrola-se num tempo e espaço específi-
               cos e é capaz de promover ou quebrar elos. É assim que, nessa introdução,
               pretendemos contar algumas minúcias de nossas atividades engajadas de
               extensão, na experiência de seus contatos dentro e fora das atividades de
               campo, bem como refletir criticamente sobre o próprio projeto, que no
               contato com a experiência vivida precisou ser (re)inventado. Isso se dará
               de modo articulado à apresentação dos capítulos.



               O PAR DESENVOLVIMENTISMO-AMBIENTALIZAçãO
                  O projeto do programa de extensão partiu, a princípio, do entendimen-
               to de que o cenário capixaba compunha tensões e problemas em duas
               frentes de estudo: (a) o campo econômico, via implantação e expansão de
               grandes empreendimentos industriais, e (b) o campo ambiental, por meio
               da criação de áreas protegidas destinadas à conservação da biodiversidade.
               Havia estudos sobre cada uma dessas abordagens em separado no Espíri-
               to Santo, mas poucas pesquisas voltadas para analisar as interfaces desses
               dois conjuntos de problemas e sobre como se processam em circunstân-
               cias locais e regionais, principalmente quanto às mudanças causadas nas



               1   Autoras do presente texto.
               2   Há uma tentativa de nomeação dessas pessoas na seção de agradecimentos do livro, o que
               tem sempre os seus riscos. Observamos que não nomeamos os interlocutores de campo, para
               fins de garantia de anonimato. Uma escolha que também traz em si suas injustiças, mas visa
               a sua proteção em um contexto de conflitos e instabilidades.




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