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Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é sua”. Assim como sentar para jantar e
        falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo,

        estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que
        está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o
        respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência.

        É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil
        equilíbrio doméstico possa ser dito.

          Agora,  se  os  pais  mentiram  que  a  felicidade  é  um  direito  e  seu  filho  merece  tudo
        simplesmente  por  existir,  paciência.  De  nada  vai  adiantar  choramingar  ou  emburrar  ao
        descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor

        a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo — ou para
        descobri-lo —, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não

        deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a
        responsabilidade pela sua desistência.
          Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é

        insuficiente.  Mas  é  o  que  temos.  E  é  melhor  não  perder  tempo  se  sentindo  injustiçado
        porque um dia ela acaba.

                                                                                                   11 de julho de 2011

        A prisão da identidade















        Antes, a pergunta que determinava nosso lugar no mundo era: “De que família você é?” ou
        “Qual é o seu sobrenome” ou “Você é filho de quem?”. Depois, a pergunta migrou para: “O
        que  você  faz?”.  Tanto  que,  junto  ao  nome,  em  qualquer  matéria  jornalística,  segue  a

        profissão e, de preferência, a filiação profissional. Não é mais a filiação paterna, mas sim a
        filiação da instituição ou da empresa que confere legitimidade a um indivíduo e o autoriza a

        falar e a ser escutado. “O que você faz?” ou “Onde você trabalha?” é também a segunda ou
        a terceira pergunta que você escuta de quem acabou de conhecer em uma festa ou evento
        social. Só não é a primeira porque ainda faz parte da boa educação se apresentar pelo nome

        antes ou fazer algum comentário sobre a qualidade da comida ou qualquer outra banalidade.
        A questão que se impõe, antes ou agora, é a mesma: a partir de que lugar você fala. A partir
        do lugar de onde alguém fala, prestamos atenção ou não naquilo que diz. O lugar de onde
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