Page 24 - Na Teia - Mauro Victor V. de Brito
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República, centro de São Paulo, 1988.

           Uma repórter aborda uma

           mulher que passa fumando
           apressada pela calçada.



           Repórter: Dá aqui uma entrevistinha pra gente?
           (Com um sorriso, a mulher para)
           Repórter: Você tem ouvido falar em jornais, TV, rádio,
           sobre assassinato de homossexuais?
           Mulher: Já, já sim.

           Repórter: E o que você pensa disso?
           Mulher (com um sorriso calmo): Eu acho que tem mais é que
           assassinar mesmo.
           (Corte de cena, agora a repórter entrevista um
           homem jovem negro)
           Repórter: Você é a favor que mate?
           Jovem: Tem que matar! (Sorri)
           (Corte, entrevista agora um adolescente sentado na praça)
           Repórter: O que você acha de toda essa violência, esse

           comportamento que está havendo contra eles [LGBT]?
           Adolescente: Ah, eu acho que tá certo.
           Repórter: Por quê?
           Adolescente: Homem nasceu para ser homem, vai ficar
           virando... aí não dá.
           (A repórter entrevista um motorista)
           Repórter: E especificamente contra eles [LGBT],

           o que você pensa?
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