Page 35 - ASAS PARA O BRASIL
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Ela mora na cidade agradável de Olbia, na Sardenha.
Enquanto a Françoise dava à luz a Véronique em 1965, eu estava com o meu
cunhado no cinema. Certamente uma situação imprevisível e culpável (?)
Ao sair do filme, preocupado, telefonei para a clínica para ter notícias. A
sogra tirânica respondeu: “a Véronique nasceu”. Ela tinha escolhido de
propósito o nome da minha filha sem o meu consentimento o que achei
insuportável.
Seis anos após o nosso casamento, ao voltar de uma viagem de estudos nos
Estados Unidos, eu tive a surpresa desagradável de não poder entrar na
minha casa.
A minha sogra Suzanne e a Françoise tinham simplesmente trocado as
fechaduras das portas.
O carro tinha sumido da garagem; após uma viagem difícil de mais de 24
horas, eu estava no olho da rua, aniquilado e chocado, com as minhas
malas.
Ainda não sei por que fizeram aquilo.
Depois de muitas tentativas de diálogo para pedir explicações,
furioso, eu pedia o divórcio.
Não havia nenhuma traição ou suspeita entre nós; talvez somente pontos
de interrogação, como qualquer um, em relação ao futuro do nosso
casamento.
Segundo as pessoas que me conhecem e que me conheciam, tenho bom
caráter, sou tolerante, de convivência fácil e sei reconhecer os meus erros,
consequentemente, uma pessoa totalmente frequentável.
Algum tempo depois, tive a confirmação de que minha esposa sofria de
transtorno bipolar. Naquela época, ela estava totalmente sob a influência
da mãe dela, que a manipulava como uma marionete.
Alguns sintomas já anunciavam uma ansiedade intensa e fases maníacas
em relação a coisas insignificantes.
Durante alguns anos, eu tive que suportar suas guinadas de humor, suas
exigências.
Meus amigos eram obrigados a fumar no hall de entrada do apartamento,
não podia ter marca de vapor no espelho que ficava em cima da banheira