Page 39 - ASAS PARA O BRASIL
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Nessa bela rua, eu fiquei boa parte da minha carreira e sem me gabar, nos
                  30 anos que passei  na agência Daro Viagens contribui tanto para o seu
                  desenvolvimento quanto para a sua reputação.

                  Naquela época, está agência tinha um estilo bem singular no segmento das

                  viagens de prestígio para uma clientela que representava uma boa parte das
                  celebridades de Paris e do país.

                   Comecei  a trabalhar no baixo escalão, não contava as horas. Aprendi a
                  fazer reservas, a preparar as passagens de trem e de avião e a ser amável
                  com os clientes.


                  Muitas vezes os serviços de locação da companhia de trens SNCF e dos
                  Wagon Lits (cabines com cama dos trens) estavam saturados; passávamos
                  horas esperando por uma confirmação; eram momentos intermináveis e
                  desencorajadores.


                  Cedo  de  manhã,  eu  ia  ao  escritório  para  fazer  as  locações;  era  a  única
                  maneira de obter as reservas e de satisfazer nossos viajantes.

                  Nos  anos  1980,  a  nossa  agência  foi  a  primeira  a  receber  os  terminais
                  informáticos “Amadeus” da Air France para reservar as passagens de avião;
                  a aquisição destes computadores iria simplificar bastante o nosso trabalho.


                  Após alguns anos, eu me tornei chefe da agência na sede da Rua Royale.

                         Um dia, eu fabriquei uma passagem de avião de mais de dois metros
                  de comprimento para um famoso flautista que faria uma turnê de concertos
                  de  cidade  em  cidade  nos  Estados  Unidos.  Foi  um  recorde  que  foi
                  fotografado  pela  nossa  companhia  nacional.  Boa  parte  do  universo  da
                  música clássica internacional era cliente da nossa agência. Eu tive a honra
                  de cuidar das viagens dos maiores musicistas daquela época como Arthur

                  Rubinstein, Isaac Stern e Ehud Menuhin.

                  Talvez eu fosse um pouco servil; no fundo, eu sempre me perguntei isso, eu
                  me sentia como o galé das viagens.


                  Nossos clientes eram exigentes, tínhamos que estar à disposição muitas
                  vezes a qualquer hora.

                  Certos clientes importantes tinham o meu número de telefone pessoal.

                  Não era raro eu deixar o escritório após 20h e em certos casos importantes,
                  eu entregava pessoalmente as passagens de avião ao domicílio do cliente.
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