Page 43 - ASAS PARA O BRASIL
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Não há dois países que funcionem da mesma maneira, nem que respeitem
                  nosso modo de funcionar e nossa concepção de qualidade do serviço.

                   Em  muitas  reuniões,  comitês  internacionais,  eu  ficava  muitas  vezes
                  sozinho na situação de ter que representar as cores do meu país, que eu

                  defendia da melhor maneira possível.

                  Uma  das  minhas  primeiras  experiências  num  congresso  de  mil
                  participantes foi no Rio de Janeiro nos anos 1970.


                  O responsável financeiro da associação internacional do congresso teve um
                  ataque cardíaco na aterrissagem de um voo.

                  Como ele ficou internado uma semana no hospital, tivemos que improvisar
                  da melhor maneira possível para resolver estes compromissos e a variante
                  contábil.


                  Foi  através  deste  episódio  que  eu  conheci  as  primícias  e  os  corredores
                  tortuosos  dos  sistemas  financeiros  de  certos  países,  principalmente  da
                  América do Sul.

                  A oportunidade previsível surgiu, tínhamos que quitar as contas com três
                  hotéis dois dias antes do final do congresso, isso representava um valor
                  considerável em dinheiro. As regras de pagamento mudaram de repente

                  sem motivo?

                         Felizmente,  o  valor  considerável  dos  direitos  de  inscrição  para  o
                  congresso,  pagos  individualmente  em  dólares  pelos  congressistas,  nos
                  permitiu respeitar as condições de pagamento dos contratos que eu tinha
                  assinado com os hotéis.


                  As notas enchiam três grandes sacos de plástico preto.

                  Minha expedição para realizar o câmbio e pagamento foi auxiliada por dois
                  guias brasileiros, meus anjos da guarda.

                  Saímos de manhã cedo em dois taxis para ir a várias agências de câmbio

                  escondidas, muitas vezes, em bairros sinistros.

                  À tarde, chegamos ao primeiro hotel para fazer o pagamento - eu acho que
                  era o “Méridien” - em dois taxis; o volume e o número de sacos plásticos
                  tinham aumentado; a diferença no câmbio era o dobro ou o triplo naquela
                  época.
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