Page 44 - ASAS PARA O BRASIL
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Quando entramos nos escritórios dos hoteleiros, espalhamos, contamos e
                  dividimos em montinhos, os cruzeiros (moeda entre as mais inflacionadas)
                  encima de grandes mesas.

                  Os  diretores,  estupefatos,  não  tinham  o  costume  de  ser  pagos  dessa

                  maneira, mas eles não podiam reclamar porque recebiam tudo dentro do
                  prazo!

                  Hoje  em  dia,  seria  preciso  alugar  um  caminhão  blindado  escoltado  por
                  motoqueiros para fazer tal percurso no Brasil. Nossa expedição cambial nos
                  permitiu faturar uma margem confortável, creio que mais de 30% do total.


                  Que  dia  de  suor  e  de  angústia!  Não  o  faria  de  novo,  era  um  pouco
                  inconsciente.

                  Nosso  serviço  contábil  nunca  quis  me  dar  os  números  deste  congresso;
                  sinto-me frustrado até hoje.


                  Através das minhas numerosas viagens de preparação com os diretores das
                  organizações internacionais de Washington ou de Genebra, não era raro
                  encontrar  os  funcionários  de  alto  escalão:  ministros,  homens-chave  de
                  setores de atividade como finanças, infraestrutura, petróleo, saúde, meio
                  ambiente e em alguns casos, chefes de Estado em pessoa. Tive a chance de
                  conhecer pessoas excepcionais e também pessoas pouco competentes que

                  muitas vezes não falavam nem uma palavra de inglês e que tínhamos que
                  auxiliar  fora  de  nossas  atribuições,  em  suas  diligências  comerciais  e
                  oficiais.

                         Foi assim que conheci no Cairo, pouco antes de seu assassinato, o
                  presidente  Sadate  no  quadro  de  uma  organização  de  uma  importante
                  Conferência Internacional no Egito. Fiquei na antessala durante duas horas
                  e me distrai rabiscando anotações com a minha caneta, quando o meu Bic

                  desparafusou e caiu num tapete grosso e estava de quatro no chão quando
                  o presidente Sadate apareceu; ele deve ter achado a minha postura curiosa
                  e uma nova forma de respeito à francesa.

                  Na mesma noite, após horas de debates na sede do Parlamento, jantamos
                  no hotel Intercontinental.


                  No final do jantar, um príncipe árabe chegou, com seu séquito composto
                  por uma dezena de mulheres veladas, na sala do restaurante.

                  Um excelente violonista búlgaro, que me disse ter sido primeiro prêmio do
                  conservatório de Bucareste, acompanhado por um pianista, nos perguntou
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