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Thor na mitologia, já que em nossa época é o dinheiro que concede algo próximo a uma
divindade terrena. Nesse sentido, é curioso lembrar que nas histórias em quadrinhos
inspiradas na mitologia nórdica, Odin expulsou Thor de Asgard. Thor, então um jovem
arrogante e impulsivo, em uma de suas aventuras adolescentes invadira o reino dos gigantes
de gelo, rompendo o tratado selado por Odin. A honra do pai e sua autoridade entre os
deuses dependiam de punir exemplarmente o filho, que com suas ações havia prejudicado a
todos e comprometido a segurança de Asgard.
Thor foi enviado para a Terra — um exílio que significava punição e aprendizado. Ao
expulsar Thor, Odin disse a ele: “Tu és o filho favorito de Odin! Além de valente e nobre, tua
alma é imaculada! Mas ainda assim és incompleto! Não tens humildade! Para consegui-la
deverás conhecer a fraqueza… sentir dor! E para isso necessitas deixar o Reino Dourado e
despir-te de tua aparência divina! A Terra, lá aprenderás que ninguém pode ser
verdadeiramente forte se, em realidade, não for humilde! Por um tempo não mais serás o
Deus do Trovão! A tua memória também tirarei! Agora, vai! Uma nova vida te espera!”. Thor
transformou-se então em um mortal chamado Donald Blake, médico talentoso, mas manco.
Até que aprendesse o dom da humildade e estivesse apto a cumprir seu destino.
Por que vale a pena lembrar esse episódio? Porque este é o Thor de Stan Lee, o grande
criador da Marvel Comics. E Stan Lee é um homem nascido em 1922, que criou o seu deus
do trovão no início da década de 60. Ao tecer o enredo, Lee revela a mentalidade da sua
época. E nos mostra como a paternidade — e o que se compreendia como amor e como
obrigação de um pai — já foi diferente. Nos lembra, portanto, que a construção da
paternidade é cultural. E, portanto, mutante.
Acredito valer a pena pensar sobre o que é ser pai hoje. E que tipo de consequências essa
ideia de paternidade, tão bem ilustrada na relação de Eike Batista com seu Thor da vida real,
acarreta para a sociedade como um todo. Este episódio nos leva a várias vertentes de
reflexão — e uma das mais interessantes é a nossa relação com os limites na educação de
um filho.
Tenho muito cuidado em tocar em assuntos que envolvem tanta dor. Acho que
testemunhar a morte de um ser humano — sendo ou não responsável por ela — é uma
experiência devastadora, que deixa marcas profundas, para além da punição legal. Mesmo
atropelar um homem de 80 anos e machucá-lo deve ser terrível. Não sei como é estar na
pele de Thor. Tentei descobrir pelo Twitter como ele se sentia em sua humanidade.
Primeiro, percebi que Thor estava mais preocupado em garantir sua inocência, provar a
culpa do morto e nos convencer da correção de seus atos, assegurando também o apoio
material à família da vítima. Depois, descobri que já tinha mudado de assunto. Thor estava
dando a fãs no Twitter o que chamou de “dica de endocrinologia do dia”: “Eu recomendo o
uso da cabergolina (Dostinex) para baixar a prolactina. Comece com 0,25 mg por semana,