Page 125 - LICENCIAMENTO E COMPENSAÇÃO AMBIENTAL NA LEI DO SISTEMA NACIONAL DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC)
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108  Licenciamento e Compensação Ambiental na Lei do SNUC  • Bechara


                   to regularmente licenciado, cuja constatação só foi possível após a implantação
                   e/ou operação da atividade.  De toda forma, vale aqui o mesmo comentário feito
                                             57
                   sobre a retirada da licença por caducidade: sendo possível a modificação das con-
                   dicionantes da licença para a manutenção da atividade, deve o órgão ambiental
                   promovê-las antes de suprimir o ato.

                       Não se deve associar a revogação à desconformidade legal do ato. Pelo con-
                   trário, a revogação pressupõe a legalidade do ato revogado – até porque, se ilegal
                   fosse, caberia cassação ou invalidação, mas não revogação. Daí a conclusão acer-
                   tada de Lúcia Valle Figueiredo:

                         “Impende enfatizar que todas as vezes que falamos de revogação pensa-
                         mos em ato anteriormente válido, nascido sem vício para o ordenamento,
                         com ele convivendo até certo momento, para, depois, tornar-se indesejá-
                         vel, ao surgir novo interesse público.” 58

                       Por fim, é de se notar que a possibilidade de modificação, suspensão ou can-
                   celamento (ou cassação ou invalidação ou caducidade ou revogação) da licença
                   durante a sua vigência atende, concomitantemente, aos interesses da coletivida-
                   de e, ainda que em menor grau, do empreendedor.
                       Da coletividade, porque deixa claro e inquestionável que a licença, mesmo
                   dentro de seu prazo de validade, pode deixar de surtir seus efeitos se o empreen-
                   dedor desrespeitar os comandos legais, as exigências do órgão ambiental ou se
                   simplesmente a atividade se afigurar gravemente perigosa para o meio ambiente
                   e para a saúde pública. Ou seja, diante de uma situação ameaçadora ao meio
                   ambiente e à saúde, a atividade poderá, senão deverá, ser interrompida a qual-
                   quer tempo.
                       Do empreendedor, porque assegura que a licença não será alterada, suspensa,
                   cancelada (cassada, invalidada, retirada por caducidade ou revogada) se ele não
                   fraudar o licenciamento e, licenciamento regular feito, permanecer cumprindo as
                   exigências legais e as condicionantes da licença – o que equivale a dizer que a ati-
                   vidade só será interrompida se ele, empreendedor, faltar com as suas obrigações

                   57   Não é preciso que o risco decorra de um fato novo para justificar a revogação. Às vezes o risco
                   até já existia quando da concessão da licença, mas não pôde ser detectado. Sobre os atos revogáveis,
                   Daniele Coutinho Talamini ensina: “Importa considerar se há ou não a necessidade de extingui-los.
                   E a alteração das condições fáticas pode, em determinados casos, ser determinante para definir a
                   eliminação de efeitos inconvenientes ou inoportunos. Em outros casos – de menor frequência talvez
                   – haverá necessidade de se eliminar os efeitos do ato mesmo não tendo ocorrido fato novo. [...] O
                   que importa verificar, portanto, não é a necessidade de superveniência de fato como pressuposto à
                   revogação do ato administrativo. Importante é detectar a real necessidade de extinguir os efeitos
                   advindos do ato ainda que não tenha havido alteração dos fatos ocorridos quando da sua prática.
                   O que se exige para revogar é uma alteração substancial do interesse público e não dos fatos ou da
                   apreciação que se faz deles” (Revogação do ato administrativo, p. 129-131).
                   58   Ob. cit., p. 251.






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