Page 32 - A PÉROLA SELVAGEM - A ave de rapina
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A PÉROLA SELVAGEM - A ave de rapina, por Luciano Du Valle
que tu quer?
- Hoje eu tô aqui, amanhã também, eu sempre estive aqui,
tu também esteve... Hoje, acaba tudo aqui pra não mais começar
o que não era pra ter acontecido.
- Saravá o malê-malê, saravá o querô-querô, salve 7 encruza,
quem encruza desencruza, salve a pemba maguelê, salve a alma
Exú-malê!
- Sábia será a vossa atitude, comemore o vosso, o teu
sucesso, grande sucesso, hein?
- Salve a calunga, domine o quanto puder. Hoje o lugar é
aqui, amanhã será lá, na encruza de ijexá. Segura essa!
- Caramba, o quanto eu fui ninguém sabe, o quanto eu
ri ninguém viu! Sou a tua aliança desde tempos imemoráveis.
Caminha, cambinda só quando puder.
- Eu te vejo no caminho com a guarda de mulher, será a tua
companheira na estrada de Jafé.
- O sentinela do portão te verá e te fará caminhar por entre
os mortos de coração puro e alma suja.
- Hoje, só eu vou falar irmão. Quero te ajudar, sempre fui
contigo e agora não vou falhar. Somente em ti confia o Quan-
tum. Se tu quer eu te respondo, comigo ninguém pode, eu sou
mais que malê, eu sou o Quanto dos quantos, sou também
Oxumarê das águas de Oxalá. Salve as linhas de umbanda, salve
as linhas de quimbanda, salve todas as sortes para aquele que
vence demanda. Eu sou Exú capa preta, aquele que arrebenta.
Sou a tua guarda, segura essa irmão, vou te ajudar. Caramba...
caramba, hoje eu estou aqui pra também te escutar; o que tu quer
comigo?
- Eu vou te ajudar!
- Hoje bons sonhos tu vai ter e na lembrança valer, com
cuidado para não esquecer.
Exú Capa Preta
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