Page 82 - CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013
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CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013



          logo se verifica na produção agrícola mais primitiva; daí a grande influência que
          exerceu a propriedade familiar na formação da empresa agrária, pelo cultivo dentro
          da família do sentimento de autoridade e respeito ao chefe (pateifamilias). "A fa-
          mília ensina a obedecer e a submeter-se à vontade diretora e ordenadora do chefe
          e cria, por conseguinte,  a condição primeira de  uma cooperação harmônica dos
          homens" ( cf. F. V.  Klainwachter, Economía política, Barcelona, Ed. Gustavo Gil,
          p.  183). Ora, essa cooperação harmônica dos homens é a chave da organização de
          toda a produção que se objetiva na empresa com a finalidade de satisfazer as ne-
          cessidades alheias.
          4.  Empresa do tipo feudal. Grandes companhias mercantis.
             Mercantilismo
             Dessa unidade da família, do trabalho em comum e da cooperação harmônica
          entre os  homens,  desenvolveu-se,  através  dos  séculos,  a empresa agrária.  Já na
          antiga Grécia, os poderosos senhores, mediante o braço escravo, fabricavam artigos
          para venda. A empresa de tipo feudal medieval, que é o protótipo da empresa agrá-
          ria,  mostra a pujança de sua força não só no setor econômico como no político.
          Recolhe do feudo a riqueza econômica e o poder político. Na época mercantilista,
          que sucedeu à economia rural, surgem as grandes companhias mercantis e começa
          a era das grandes descobertas. É o alvorecer do período mercantilista (1450-1750)
          de tão ricas implicações em virtude de seu longo tempo de predomínio. É o nasci-
          mento  do capitalismo comercial de  tanta importância para o  desenvolvimento
          econômico e cultural da Europa. A empresa agrária, embora não tenha desapareci-
          do, ficou ofuscada pela debandada dos detentores das terras atraídos pelo "Veloci-
          no de Ouro", expressado no princípio de que somente os metais preciosos enrique-
          cem uma nação.
             A descoberta da América prejudicou ainda mais a empresa rural, pois grande
          foi a fuga de emigrantes para o Novo Mundo. A agricultura foi esquecida porque
          a indústria era preferida à agricultura, primeiro, porque sua produção era mais se-
          gura e mais regular e,  segundo, porque os produtos fabricados tinham para a ex-
          portação um valor específico maior (cf. Paul Hugon, Doutrinas econômicas, p. 64).
             A reabilitação da agricultura e, com ela, da empresa rural somente veio com o
          advento da escola fisiocrática. A razão é fácil de compreender, pois a era mercan-
          tilista prejudicou enormemente a agricultura europeia em virtude não só da emi-
          gração como pelo abandono da terra por parte dos colonos que passaram a trabalhar
          na indústria.
             Lançou-se, então, outro slogan para recuperar a empresa agrária, dizendo que
          a riqueza nacional não estava somente no ouro e prata, mas, também e principal-
          mente, na terra. Esta é a fonte donde emanam todas as riquezas. Tudo o que é útil
          à vida do homem provém do solo, disse Hume. É a agricultura, portanto, a única
          ocupação que tem um caráter produtivo. Reabilita-se, historicamente, a empresa
          rural, que passa a desempenhar importante papel (que já tivera) na vida econômica
          e  política das  nações.  Nem mesmo o  sistema que lhe  seguiu,  o  industrialismo,
          conseguiu causar-lhe males iguais aos que o mercantilismo lhe produziu. A razão
          é fácil de compreender. O industrialismo, que nasceu com a escola de Adam Smi-
          th,  não condenava a agricultura, mas valorizava o trabalho,  indicando-o como a

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