Page 22 - ASAS PARA O BRASIL
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Seu marido brasileiro, “Chico Catão”, um rico empresário que tinha a
mesma devoção pelas mulheres que a sua tinha pelo coquetel “uísque sour”,
que estava na moda naquela época, me irritava ainda mais.
Eu fui conduzido ao Country Club do Rio pelo
motorista deles num conversível Packard branco e
reluzente, para supostamente me divertir e
frequentar a elite carioca. Eu pensei que durante a
minha estadia de quinze dias, poderia ficar livre de
sua ascendência; foi o contrário.
Fiquei rodeado por uma coleção de “mauricinhos” desdenhosos,
desprezíveis, para quem a ideia de classe social era uma verdadeira
carapaça de orgulho. Eram só novos ricos, pretenciosos, com os quais eu
não tinha nada em comum.
Além disso, como eu não falava bem o português, o desentendimento era
total e profundo.
Um dia, eu lutei com um dos membros do clube que alegou que tínhamos
perdido a guerra e que os franceses eram covardes, que também não é
inteiramente impreciso.
Eu ia para me livrar da dependência intrusiva da minha tia, mas sobretudo,
para dirigir tranquilamente a “Packard” sem o capô, ver as praias de
Copacabana e Ipanema ou silhuetas mais agradáveis de se admirar.
Ainda bem, a estadia foi curta, mas algumas lembranças agradáveis
ficaram bem registradas; foi a segunda viagem ao Brasil e longe de ser a
última.
CAPÍTULO II
Asas militares tricolores
Meu serviço militar naquela época foi dos mais clássicos, porém
movimentado e desgastante devido ao tempo que passei, 30 meses: três
meses de “classe” na base aérea 123 de Bricy/Orléans na Aeronáutica no
final de 1957.
Uma planície fria e com neve, sem uma árvore como o Exército
gosta, e onde temos que passar frio de manhã, de short, durante os
exercícios físicos e a corrida no lamaçal.