Page 26 - ASAS PARA O BRASIL
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Os escorpiões pretos saem de seus esconderijos, a vida muda radicalmente,
inclusive o comportamento dos indivíduos.
Esse período de chuvas é chamado de “invernada”.
Durante alguns dias, cedo da manhã, um soldado africano limpava o chão
varrendo rapidamente em volta do prédio, ele reunia com um prazer sádico
esses bichinhos num montinho para então tacar fogo e vê-los se entortar
na agonia.
Dizem que com os seus ferrões, eles se espetam para morrer mais rápido
antes de serem devorados pelas chamas (?).
Nesse país, são também numerosas essas colegas venenosas, as cobras,
como a terrível muamba negra que conta com 8000 mordidas por ano das
quais 300 são mortais. Sorte minha eu nunca ter visto esta espécie.
Quando um jovem casal chegava da metrópole, nós mostrávamos a eles um
temível afrodisíaco: as asas do inseto cantáridas.
Assim, entendíamos porque desapareciam de maneira duradoura e íntima
nas suas casas.
O exército me deixou alguns fragmentos de lembranças em forma de
mosaico, com um pano de fundo pessimista da triste realidade da África.
A última vez que fui a Dacar, limpei do meu rosto, com o meu lenço, um
cuspe e fui tratado de “branco sujo”; o que é bem triste e patético para esse
continente.
Quando eu penso que o presidente Léopold Sedar Senghor me fez uma
dedicatória para recompensar o trabalho feito para promover o turismo no
Senegal. Sem comentários!
Algumas vezes, eu tinha missões de escolta, acompanhamento.
O avião que era frequentemente usado era o barulhento “Nord Atlas- 2501”
com um conforto reduzido, as cadeiras alinhadas de cada lado do
compartimento de cargas não eram mais que uma lona tensa; os