Page 33 - Os Manuscritos do Mar Morto
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científica de primeira mão com certa dose de sensacionalismo constitua um
tipo de literatura que tem êxito garantido (1996:38).
Barrera trata o livro acima comentado como sendo uma mistura de “informação
e desinformação”, que ignora as dificuldades enfrentadas pelo International Team para
que fossem feitas as publicações.
A frase dita pelo famoso erudito bíblico Geza Vermes, em 1977, de que a maior
descoberta de manuscritos estava se tornando rapidamente “o escândalo acadêmico por
excelência do século XX” (1977:24), não soou bem aos ouvidos de muitos estudiosos.
Esse episódio marca o início em que as oposições em favor da liberação dos
manuscritos ganham corpo. Entretanto, as teorias para explicar o porquê da demora não
levaram em consideração os problemas “sociais” (parafraseando Barrera) pelos quais
passava a equipe, ganhando destaque entre estas a acusação de que haveria um
“complô” para não prejudicar o cristianismo.
Apesar do objetivo aqui não ser o de descrever os problemas enfrentados pelo
International Team, é importante traçar um panorama geral das proposições já criadas
referentes ao cristianismo, por mais que estas, às vezes, escapem à razão. Os
verdadeiros motivos alegados por todos os conhecedores da história da publicação dos
manuscritos – tanto de membros da equipe quanto de outros – foram que estes eram
oriundos de problemas como: luta por direitos autorais, acondicionamento do material,
dificuldades financeiras, questões geopolíticas sucessivas à criação do Estado de Israel 18
e racismo. Estes sim, foram alguns dos mais importantes condicionantes responsáveis
pelo atraso das publicações, não motivos religiosos. Se os críticos levassem esses
problemas em consideração antes de emitirem suas opiniões, muitos equívocos teriam
sido evitados e uma literatura de maior honestidade e seriedade chegaria às mãos do
público.
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Um dos acontecimentos que fez com que o ritmo das publicações perdesse o compasso foi o
desencadeamento da Guerra dos Seis Dias (1967), em que Israel anexa a parte oriental de Jerusalém a seu
território e toma o Museu Arqueológico da Palestina, onde se encontravam a maior parte dos manuscritos.
Foi durante esse período que o arqueólogo Yigael Yadin apossou-se do Pergaminho do Templo em mãos
de um comerciante que morava em Belém, cidade anexada ao território israelense.