Page 313 - CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013
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CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013



         venda, pondo à sua disposição o teor da proposta, caso pretenda usar do direito da
         preferência legal,  dentro do prazo de trinta dias. A resposta deve ser dentro dos
         trinta dias, a contar da notificação judicial ou comprovadamente efetuada, median-
         te recibo, sob pena de decair de seu direito. O arrendatário não é obrigado a adqui-
         rir o  imóvel  arrendado,  por isso  a  norma do  art.  92,  §  3Q,  é  dispositiva,  como
         ocorre com o art. 504 do CC, que é sua fonte.
             A lei dispõe que o proprietário deverá comunicar, por notificação judicial ou
         não, a sua intenção de vender o imóvel. A prova mais difícil será aquela da notifi-
         cação extrajudicial. Dois caminhos pode seguir o proprietário: a) fazer notificação
         por carta em duas  vias,  devendo  o  arrendatário  assinar numa delas  o  recibo;
         b) fazer a notificação por carta, por intermédio do cartório da zona onde se situa o
         imóvel ou onde resida o arrendatário. A notificação, para valer, precisa ficar devi-
         damente comprovada, mediante recibo. Somente o recibo da entrega da notificação
         servirá de prova de sua efetivação, quando aquela não se tiver feito judicialmente,
         ou como diz Pontes de Miranda: "Se essa comunicação foi em termos adequados
         e recebida, não pode o juiz dar por ineficaz. Não há texto legal que lho permita"
         (Tratado de direito privado, cit., p. 216).
             A forma de conhecimento da venda deve ser escrita, podendo ser por carta ou
         não, judicial ou extrajudicial, como vimos. O fundamental para a lei é que o arrenda-
         tário tenha ciência da venda manifestada pelo proprietário. Não cabe ao arrendatário,
         que recebeu a comunicação, discutir a maneira como esta veio parar às suas mãos.
         A data do recebimento da notificação deve ficar bem certa, porque daí começa o
         direito de preempção do arrendatário, que caducará se não for exercido dentro do
         prazo de trinta dias. O prazo é peremptório e não se interrompe aos domingos e
         dias feriados.  Se o trigésimo dia cair em domingo ou feriado,  o direito deve ser
         exercido no dia anterior, porque o prazo não se prorroga nem se interrompe, por se
         tratar de direito constitutivo.
             Feita a notificação, tem o arrendatário o prazo de trinta dias para dizer se pre-
         tende adquirir o imóvel, nas condições propostas, tanto por tanto. Embora a lei não
         diga como deva ser exercido o  direito  da preempção,  admite-se que  se faça de
         qualquer maneira, de preferência escrito, e que o "titular deixe claro que presta o
         mesmo ou mais (ou melhor), do que o terceiro", conforme Pontes de Miranda. Vale,
         como regra interpretativa,  a  norma do  art.  515  do  CC,  quando  estabelece que:
         "Aquele que exerce a preferência está, sob pena de a perder, obrigado a pagar, em
         condições iguais, o preço encontrado ou o ajustado".
             O silêncio por parte do arrendatário é manifestação de vontade negativa e não
         renúncia tácita à preempção; daí porque, decorrido o prazo legal,  extingue-se o
         direito. A comunicação da venda é para que possa o arrendatário exercer o direito
         de preempção (ET, art. 92, § 3Q).
             Exercendo o arrendatário o direito, fica vinculado à compra do imóvel arren-
         dado, sem que possa retratar-se ou revogar a declaração de vontade manifestada na
         forma legal. Nada impede que essa declaração possa ser anulada, se ocorrer alguma
         das hipóteses de vícios de consentimento.
             Se o arrendatário declara que quer comprar o imóvel, pode oferecer, desde logo,
         o preço, ou pedir que o proprietário marque dia e hora para a lavratura e assinatura
         do instrumento público de compra e venda.

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