Page 333 - CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013
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CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013



            O  novo  dono  não  se  pode recusar a  receber os preços do  arrendamento ou
         parceria,  sob  pena de vê-los  consignados  em juízo (CPC,  art.  891),  porque  se
         sub-roga nos direitos e obrigações do alienante. Nem também podem o arrendatá-
         rio  ou parceiro-outorgado recusar pagamento deles,  como não  podem pagar ao
         antigo proprietário. O pagamento ao antigo proprietário não os exime de repeti-los
         ao adquirente, salvo se feito por erro (art. 877 do CC combinado com o art. 92, §
         9º, do ET). Resta, em favor deles, o direito de restituição exercido contra o antigo
         proprietário (CC, art. 876).
            No tocante à parceria agrícola, a regra do art. 92, § 5º, não inovou, pois já existia
         a norma do art. 1.115 do CC/16, que dispunha: "A parceria subsiste, quando o prédio
         se aliena, ficando o adquirente sub-rogado nos direitos e obrigações do alienante".
         Sua repetição extensiva a todos os contratos agrários (Regulamento, art.  15) toma
         mais fácil sua aplicação, pela tradição jurisprudencial existente no tocante à mesma
         regra do CC. De modo que, embora não vigendo, é uma fonte preciosa para a inter-
         pretação do ET, no que tange aos contratos agrários, que é a tônica do Capítulo em
         exame e do Decreto n. 59.566/66, que o regulamentou. Outra coisa não se tem feito,
         no exame dessa matéria, senão buscar subsídios no direito civil, naqueles pontos em
         que o ET e seu Regulamento aceitaram o doutrina anterior esposada no CC. A juris-
         prudência, carreada no presente trabalho,  mostra bem a importância do estudo da
         norma na doutrina anterior e sua relevância na aplicação do art. 92, § 5º, do ET.
            A  alienação  inter vivos  implica respeito ao contrato agrário,  em virtude da
         norma em exame, queira ou não o adquirente, isto é, mesmo que alienante e adqui-
         rente convencionem em contrário, porque a norma é co gente (RT, 56:89 e 281 :587).
         Não vale a renúncia feita em cláusula contratual como vem sendo defendida por
         certa jurisprudência desinformada. O arrendatário não pode renunciar, em cláusu-
         la contratual, a tal direito (Lei n. 4.947/66, art.  13, § 4º).
            Qualquer que seja a forma de alienação, incide a regra do art. 92, § 5º, salvo a
         desapropriação por utilidade pública. A desapropriação é uma alienação forçada,
         que não foi cogitada no art. 92, § 5º. A lei fala em alienação, portanto é a transmis-
         são voluntária da propriedade a outrem, o que não ocorre na desapropriação por
         necessidade ou utilidade pública (CF, art. 5º, XXIV). O mesmo já não se pode dizer
         se a desapropriação é por interesse social e tem por fim realizar a função social da
         propriedade imóvel.  Neste caso,  a  União poderá promover a  desapropriação da
         propriedade territorial rural, mediante pagamento de prévia e justa indenização (art.
         184 da Constituição de 1988).
            Essa desapropriação só recai sobre propriedades rurais cuja forma de explo-
         ração contrarie o disposto no art. 186 da Constituição (art. 184 da CF/88). Sendo
         assim, fica assegurado a todo aquele que as ocupe, sob qualquer forma de arren-
         damento, o direito de permanecer na posse da terra cultivada, desde que a ocu-
         pação tenha mais de cinco anos (ET, art. 95, XIII, e art. 85 do seu Regulamento).
         Nada impede que a norma do art. 92, § 5º, se estenda, por analogia, ao poder desa-
         propriante, tendo em vista o princípio dos arts.  17, 18 e 25, 11, do ET, pois a fina-
         lidade é a mesma, isto é, o restabelecimento de relações entre o homem agricultor
         e a terra ou propriedade rural, capaz de promover a justiça social (CF, art.  184), o
         progresso e o bem-estar do trabalhador rural e o desenvolvimento econômico do
         País, com a gradual extinção do minifúndio e  do latifúndio (ET,  art.  16).  Não é
         desalojando aqueles que produzem que se conseguirá tal finalidade.


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