Page 338 - CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013
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           CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013


          gado está resolvida,  quando o  proprietário fizer recair algum ônus  real  sobre o
          imóvel ou mesmo venha a aliená-lo.
             O  usufruto é  um desmembramento do domínio,  portanto uma alienação de
          direitos, porém não no sentido dado pelo art.  92, § 5º, do ET, porque aí se faz a
          diferença entre a alienação total do imóvel e aquela que se constitui nos "ônus reais".
          Aqui se ressalva a situação do arrendatário ou parceiros, antes da constituição do
          usufruto ou qualquer ônus real  sobre o imóvel arrendado,  de modo que,  se este
          estiver arrendado à época da constituição do usufruto, o usufrutuário deve respeitar
          o arrendamento, por força do art. 92, § 5º.  No entanto, isso nem sempre ocorreu,
          porque, "se a cousa dada em usufruto se achava anteriormente arrendada, o usufru-
          tuário não era obrigado a respeitar o arrendamento" (M. I. Carvalho de Mendonça,
          Usufruto,  uso e habitação, Livr. Cons. Candido de Oliveira, 1922, p.  159).
             Em continuação, diz:  "E a razão é  simples. O  usufrutuário não foi  parte no
          contrato; depois, o arrendatário não adquiriu direito real e, portanto, nada pode opor
          ao usufrutuário que o adquire de seu lado na maior amplitude" (Usufruto, cit.).
             O art. 92, § 5º, adotou o direito moderno, que é o princípio oposto; "o usufru-
          tuário  deve  respeitar os  arrendamentos  feitos  pelo  proprietário",  é  a  lição  de
          Carvalho de Mendonça,  citando no  mesmo  sentido os  Códigos  Civis  do Chile,
          art. 792; da Colômbia, art. 51 O; do Uruguai, art. 506; e alemão, art.  1.056.
             Essa orientação  decorre  do  princípio  de  que  o  arrendamento,  feito  pelo
          usufrutuário, extingue-se ou resolve-se no fim do usufruto ou extinto este na forma
          legal, sem que o arrendatário possa ter qualquer direito contra ele, porque tinha pleno
          conhecimento de que o imóvel pertencia a outrem e que tratava com o usufrutuário.
             Antes da regra do art.  95,  § 5º,  do ET,  e do art.  7º da Lei n.  6.649179,  não
          havia em nosso direito nenhuma norma sobre essa matéria, porque nosso CC, no
          capítulo sobre arrendamento ou usufruto, nada disse a respeito, foi omisso sobre a
          locação do usufruto. Foi a Jurisprudência, calcada na doutrina exposta por Fubini,
          que desbravou a contenda, orientando-se no sentido acima exposto por Carvalho
          de Mendonça, alcançado pelo art. 7º da Lei n.  6.649 e, atualmente, pelo art. 7º da
          Lei n. 8.245/91.
             É de se estranhar tal omissão, porque,  além dos  Códigos citados,  "no direito
          romano, como nos Códigos modernos, a regra que domina a espécie é que a locação
          do usufruto cessa com este" (Carvalho de Mendonça, Usufruto, cit., p.  160, n. 97).
             Passemos agora à questão fundamental, que é saber se o contrato de arrenda-
          mento feito pelo usufrutuário vige após a extinção do usufruto, por qualquer causa
          legal, antes do termo do contrato de arrendamento ou parceria.
             A doutrina era no sentido apontado: extinto o usufruto, extingue-se o arrenda-
          mento por qualquer causa. O fundamento dessa orientação, em nosso direito civil,
          estava no art.  1.197 do CC/16, que dispunha:
             "Se, durante a locação, for alienada a coisa, não ficará o adquirente obrigado
          a respeitar o contrato, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso
          de alienação, e constar de registro público" (v. CC/02, art. 576).
             Assim argumenta M.  I. Carvalho de Mendonça:  "Se o  novo  adquirente da
          cousa não é obrigado a respeitar a locação anterior, muito menos pode ser a isso
          obrigado o nu-proprietário que tenha já direitos firmados antes da locação contra-
          tada pelo usufrutuário.

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