Page 339 - CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013
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CURSO COMPLETO DE DIREITO AGRÁRIO, Silvia C. B. Opitz e Oswaldo Opitz, Ed. Saraiva, 7ª ed., 2013



             Mais ainda: na venda pode a transferência ser gravada com a cláusula do res-
         peito à locação anteriormente contratada.
             Na locação feita pelo usufrutuário nada pode este prometer com gravame dos
         direitos do nu-proprietário" (n. 95, p.  158).
             De modo que, em relação ao proprietário, os arrendamentos contratados pelo
         usufrutuário são res  inter alios acta.  Nem mesmo havendo cláusula expressa de
         respeito ao arrendamento, no caso de extinção do usufruto, a regra se modifica:
         extinto o usufruto, caduca o arrendamento.

         48. Causas de extinção do usufruto

             O art.  1.410 do CC dispõe:
             "O usufruto extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de
         Imóveis:
             I - pela renúncia ou morte do usufrutuário;
             II - pelo termo de sua duração;
             III - pela extinção da pessoa jurídica, em favor de quem o usufruto foi cons-
         tituído, ou, se ela perdurar, pelo decurso de 30 (trinta) anos da data em que se co-
         meçou a exercer;
             IV - pela cessação do motivo de que se origina;
             V- pela destruição da coisa, guardadas as disposições dos arts. 1.407, 1.408,
         2ª parte e 1.409;
             VI - pela consolidação;
             VII -  por culpa do usufrutuário, quando aliena, deteriora, ou deixa arruinar
         os bens, não lhes acudindo com os reparos de conservação, ou quando, no usufru-
         to de títulos de crédito, não dá às importâncias recebidas a aplicação prevista no
         parágrafo único do art.  1.395;
             VIII  -  pelo  não  uso,  ou  não  fruição,  da coisa em que  o  usufruto  recai
         (arts. 1.390 e 1.399)".
         49. Morte ou renúncia do usufrutuário e arrendamento

             Trata-se, no caso, de usufruto vitalício, que dura enquanto vivo o usufrutuário.
         É o caso mais frequente, na doutrina e jurisprudência pátrias.
             Embora o  STF se  tenha pronunciado  sobre  a  espécie  em  19-7-1878,  no
         Ac.  9.356, decidindo que a morte do usufrutuário toma caduco o arrendamento
         (Revista de Direito, 18:441-7), a jurisprudência dos tribunais estaduais divergiam,
         inclusive a do Pretório Excelso. A partir do RE 73.249, de 1-4-1975, com o prece-
         dente do RE 71.313, a jurisprudência se orientou no sentido de que a extinção do
         usufruto por morte extingue o arrendamento.
             A  doutrina assim  se  posicionou:  "Falecendo o  usufrutuário  ou  cessando  o
         usufruto, o nu proprietário, não sendo obrigado a respeitar a locação, pode despejar
         o locatário, se não lhe interessa a locação" ( cf. José da Silva Pacheco, Tratado das
         ações de despejo, Borsoi, p.  31. No mesmo sentido C. Santos, M. L Carvalho de
         Mendonça, p.  108). Do mesmo modo em caso de renúncia.
             "Pode acontecer que, no curso da locação e antes do vencimento do respectivo
         prazo de vigência, venha a cessar o direito que sobre a coisa arrendada tinha o

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